SATA assegurou voo para médico fazer autópsia, mas Medicina Legal não usou

SATA assegurou voo para médico fazer autópsia, mas Medicina Legal não usou

 

Lusa/AO Online   Regional   3 de Ago de 2017, 08:31

A transportadora SATA garantiu lugar para o médico-legista realizar uma autópsia em São Jorge, Açores, mas a solução não foi utilizada pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), revela um esclarecimento hoje emitido pelo Governo Regional.

O esclarecimento segue-se à denúncia, do CDS-PP, de que um corpo aguarda há dez dias por uma autópsia no centro de saúde da Calheta, em São Jorge, e à informação daquele instituto de que desde o dia 27 de julho, quando foi pedida a autópsia pelo Ministério Público, “o médico legista está à espera de voo” para aquela ilha.

No esclarecimento, a Secretaria Regional da Saúde, que a Lusa hoje à tarde questionou sobre esta situação, mas que apenas respondeu que a Medicina Legal é tutela do Ministério da Justiça, informa que no dia 28 de julho foi solicitado por aquele instituto “o apoio do Governo dos Açores no sentido de fazer chegar à ilha de São Jorge o médico-legista a fim de se proceder à realização da referida autópsia”.

“Face a esta solicitação, e em articulação com o grupo SATA, foram desenvolvidos esforços nesse sentido e, neste mesmo dia, assegurados pela SATA lugares num voo do dia seguinte de Ponta Delgada para o Pico, assim como a posterior ligação, por via marítima, para a ilha de São Jorge”, adianta a secretaria tutelada por Rui Luís.

Segundo o mesmo esclarecimento, “esta solução não foi, porém, utilizada” pelo INMLCF, “entidade que já no início desta semana voltou a solicitar o apoio do Governo dos Açores para fazer chegar um médico-legista” a São Jorge.

“Face a esta nova solicitação, o Governo dos Açores voltou a apresentar uma solução ao Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses que garante a deslocação de um médico-legista à ilha de São Jorge”, adianta o executivo regional, acrescentando que a autópsia vai ser realizada na sexta-feira.

O documento acrescenta que, “como provam estes factos, a Secretaria Regional da Saúde, quer individualmente, quer em articulação com o grupo SATA, esteve sempre disponível e atuante para colaborar neste caso”, apesar da realização de autópsias médico-legais ser uma competência exclusiva do INMLCF, tutelado pelo Ministério da Justiça.

O CDS-PP denunciou hoje que um corpo aguarda há dez dias por uma autópsia no centro de saúde da Calheta, na ilha de São Jorge, tendo entregado um requerimento no parlamento regional a pedir explicações ao executivo açoriano.

“O corpo está no centro de saúde da Calheta há dez dias. É de um senhor que era emigrante nos Estados Unidos da América e que estava a passar férias com a mulher e o filho. No dia 24 de julho, foi pescar, sentiu-se mal e acabou por morrer”, afirmou à agência Lusa a deputada do CDS-PP no parlamento dos Açores Catarina Cabeceiras.

Segundo Catarina Cabeceiras, “esta não é a primeira vez que ocorrem situações como esta, mas dez dias talvez não”, frisando que “é recorrente as pessoas estarem à espera de médicos de medicina legal para a realização de autópsia a familiares”.

“Nas ilhas mais pequenas não existem médicos desta especialidade de medicina legal, nem médicos que tenham formação nesta área. Temos de estar dependentes de médicos que têm de vir de fora”, declarou a parlamentar, eleita pelo círculo de São Jorge.

 




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