São Miguel também vai protestar pela revisão dos apoios às artes

São Miguel também vai protestar pela revisão dos apoios às artes

 

Miguel Bettencourt Mota   Regional   4 de Abr de 2018, 17:20

O ato de protesto promovido pelo setor artístico português, que está ser apoiado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE) a uma escala nacional, será também assinalado nos Açores com uma concentração no Largo de São João, em Ponta Delgada, a ter lugar esta sexta-feira, a partir das 17h00.

Diante do Teatro Micaelense um movimento independente de cidadãos – que convida os agentes culturais da Região a associarem-se à mobilização – pretende expressar a sua “indignação” perante o novo modelo de apoio às artes anunciado pelo Governo da República e bater-se pela respetiva revisão.

“Esta é uma questão cívica. Estão-se a discutir as questões de trabalho do mundo artístico, mas também a fruição cultural, a educação, o futuro e a lutar-se por uma mudança social e pela continuidade de um serviço público que é a cultura”, explicou Cristina Cunha, a principal impulsionadora da concentração, que decorrerá em São Miguel.

A responsável, que falava à rádio Açores-TSF, manifestou ainda a convicção de que a presença dos Açores neste “debate cultural” – que surge em reação ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes (DGartes) - é tão mais importante quando se constata que “foi o primeiro ano”em que a Região pôde candidatar-se aos modelos de apoio da DGartes e se verifica que o tema da “descentralização da cultura” vem a assumir maior relevância.

Além disso, advoga Cristina Cunha, a concentração em Ponta Delgada encontra também razão no facto de haver necessidade de se fazer eco no arquipélago de “todas estas questões que se levantam sobre o estado cultural atual”.

Como fez questão de sublinhar, “a indignação” a que a mobilização no país dará corpo “vai muito além das artes”. É uma “questão política” e, como tal, “uma questão de todos”, assevera.

Por esse mesmo princípio, a presidente da Corredor – Associação Cultural, vai apresentar-se dissociada do seu papel institucional no ato de protesto. “Como cidadã”, e somente como tal, quer ser mais uma voz a chamar a atenção “para a contribuição pública que a cultura dá a um país, região, ou uma localidade” e convida a população micaelense a fazer o mesmo, juntando-se à concentração.

“Esta concentração cá [em Ponta Delgada] é também uma forma de quebrar com a distância e com o isolamento (...) e havendo este debate cultural nós não podemos ficar de fora. Também somos uma voz a ser ouvida e há uma questão de inclusão que não podemos deixar de parte, tal como de solidariedade”, reforça.

Cristina Cunha considera ainda que a avaliação das candidaturas submetidas ao programa da DGArtes suscita “muitas dúvidas” e “é muito pouco clara”. “Como é que um projeto com 40 anos é chumbado? Como é que metade do país fica sem apoios?”, questiona.

No programa, recorde-se, estão contempladas seis modalidades a concurso: circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro.

Segundo números da DGArtes, no total das seis modalidades, foram admitidas a concurso 242 das 250 candidaturas apresentadas. Os resultados provisórios apontam para a concessão de apoio a 140 companhias e projetos.

Este ano, pela primeira vez, as entidades das regiões autónomas dos Açores e da Madeira foram incluídas no modelo nacional de apoio às artes, tendo a Associação Anda&Fala, que organiza o festival Walk & Talk, sido selecionada e visto garantido um apoio a rondar os 140 mil euros.



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