Santuário do Santo Cristo, começa a ser reabilitado no verão

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RESTAURO NO SANTUÁRIO

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As obras no Santuário do Senhor Santo Cristo, em Ponta Delgada, Açores, que deverão arrancar no verão e de forma faseada, integram a criação de um itinerário museológico, adiantou hoje o reitor do templo.
 

“As obras vão ser faseadas, uma vez que o santuário não pode fechar e queríamos começar já neste verão com a recuperação dos azulejos [setecentistas] do coro baixo, onde se encontra o Senhor Santo Cristo”, afirmou em declarações à agência Lusa o cónego Adriano Borges, nomeado há um ano reitor.

O santuário, onde se venera a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, está localizado no Convento da Esperança, no emblemático Campo de São Francisco. Já o coro alto é um espaço rodeado de altares e obras de arte que integram um património com séculos de existência.

Além do restauro dos azulejos, os trabalhos contemplam a criação de um espaço para acolhimento aos peregrinos e a recuperação do convento, que ocupa mais de 12 mil metros quadrados, dispondo de jardins, pátios e hortas.

O reitor do Santuário avançou que o objetivo passa, também, pela "criação de um itinerário museológico no interior do convento".

“Há um pequeno núcleo museológico, na antiga cozinha do Convento da Esperança, que é o embrião do que pretendemos fazer no futuro, que será um museu”, sublinhou o reitor do Santuário do Santo Cristo.

As festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que decorrem na cidade de Ponta Delgada, a partir de sexta-feira e até dia 25, têm este ano como tema de fundo a mensagem da Virgem Maria, "em sintonia" com o Santuário de Fátima, que celebra em 2017 o centenário das “aparições”.

As festas do Santo Cristo são as segundas maiores cerimónias religiosas do país depois de Fátima.

O reitor do Santuário salientou a forma como "está enraizado" o culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres nos Açores e, mesmo, nas comunidades de emigrantes açorianas espalhadas pelo mundo.

“Os emigrantes levam no seu coração as saudades da sua terra, as saudades das pessoas, mas também levaram no coração a sua fé ao Senhor Santo Cristo dos Milagres. É algo extraordinário”, destacou Adriano Borges.

A este propósito disse conhecer muitos emigrantes que assim que aterram no aeroporto de Ponta Delgada “não vão para casa sem passarem pela igreja para agradecerem a oportunidade de poderem vir, uma vez mais, às festas.

Adriano Borges assinalou ainda que "é muito difícil não haver uma casa de emigrantes que não tenha uma referência ao Santo Cristo e ao Espírito Santo", acrescentando que "diariamente continuam a chegar muitas cartas" ao santuário.

“Pedem que rezemos, que acendamos uma vela, normalmente são pedidos relacionados com doenças ou emprego. Mas há também um grande sentimento de gratidão com o Senhor Santo Cristo dos Milagres e com Madre Teresa d'Anunciada [que iniciou estes festejos religiosos]”, afirmou, garantindo que todas as cartas "têm a sua resposta".