Santander Totta "claramente contra nacionalização" do Novo Banco

Santander Totta "claramente contra nacionalização" do Novo Banco

 

Lusa/Açoriano Oriental   Economia   25 de Jan de 2017, 11:38

O presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, disse que é "contra a nacionalização do Novo Banco" e previu "alguma distorção na concorrência" caso seja essa a opção.

 

"A nossa posição é clara. Somos contra a nacionalização", disse Vieira Monteiro, durante a apresentação dos resultados do Santander Totta relativos a 2016, ano em que registou lucros de 395,5 milhões de euros.

O presidente do banco, que integra o grupo espanhol Santander, previu que a nacionalização do Novo Banco pode causar "alguma distorção na concorrência".

"Não percebo muito bem [a existência de] dois bancos públicos e o que irão fazer", sustentou.

Além disso, lembrou que "os custos [de uma eventual nacionalização] ainda não estão determinados" e que a "experiência tem mostrado que são muitíssimo elevados".

Questionado sobre se é preferível uma venda que implique prejuízos para o Fundo de Resolução Bancário ou uma nacionalização, Vieira Monteiro reiterou estar contra a segunda e sublinhou que "é muito prematuro" colocar essa questão.

"Não conheço as condições das negociações, não conheço as propostas [de compra] e é cedo dizer que pode haver prejuízos [para o Fundo de Resolução]. Se calhar pode não haver prejuízos para o Fundo de Resolução", afirmou.

Sobre um eventual interesse da instituição financeira que preside no Novo Banco, caso este não se consiga vender neste segundo processo de venda, Vieira Monteiro voltou hoje a dizer que "o Banco Santander disse a partir de certa altura que não estava interessado".

"Esta é a nossa posição", concluiu.

O Novo Banco foi o banco de transição criado em 03 de agosto de 2014 para ficar com os ativos considerados menos problemáticos do Banco Espírito Santo (BES), então alvo de uma medida de resolução, que acumulou prejuízos de 1.800 milhões de euros desde a criação até setembro de 2016.

A sua venda tem sido difícil. Em setembro de 2015, foi cancelado o primeiro processo de alienação, com o Banco de Portugal a considerar que nenhuma proposta apresentada era interessante.

Já no início de 2016 arrancou o segundo processo, tendo as autoridades portuguesas até agosto de 2017 para encontrar comprador, por acordo feito com a Comissão Europeia.

No final de 2016 foi noticiado que, entre os concorrentes, o fundo chinês Minsheng tinha a melhor proposta financeira mas não apresentou provas de que conseguiria pagar o montante oferecido, devido às restrições de movimentação de divisas na China, tendo passado para a frente das negociações o fundo norte-americano Lone Star.

A imprensa escreveu que a Lone Star oferece 750 milhões de euros mas que exige uma contragarantia do Estado português até aos 2,5 mil milhões de euros.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse no início da janeiro, em entrevista à TSF/DN, que não aceitaria ofertas que envolvessem garantias públicas.

Na corrida está ainda oficialmente o fundo norte-americano Apollo/Centerbridge, que tem sido muito discreto num posicionamento sobre este tema.

Perante aquilo que parece um impasse nas negociações, ainda em janeiro vários dirigentes políticos, sobretudo socialistas, como o deputado João Galamba, levantaram a voz a favor da nacionalização do Novo Banco, à espera de um momento mais favorável para a venda.

Contudo, a nacionalização poderá ter custos consideráveis para os contribuintes. Desde logo, é necessário saber como se fará a compra pelo Estado do Novo Banco ao Fundo de Resolução bancário, o seu único acionista.

Além disso, o Novo Banco deverá precisar de um novo aumento de capital, de pelo menos 750 milhões de euros este ano e o valor deve subir a prazo, encargos que terão de ser assumidos pelo Estado.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.