Saltadores "sem condições" enquanto "Oficina de treino" tarda


 

Lusa/AO   Outras modalidades   22 de Dez de 2007, 14:11

Os saltadores portugueses candidatos a medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim2008 continuam com "situações deploráveis para treinar"

Os saltadores portugueses candidatos a medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim2008 continuam com "situações deploráveis para treinar", considera Luís Leite, vice-presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, que lamenta o atraso no lançamento de uma oficina de treinos.
Em declarações à Agência Lusa, Luís Leite disse continuar "à espera" de que o Instituto do Desporto de Portugal (IDP) avance com o projecto, de que não tem notícias concretas "há sensivelmente um ano", isto enquanto Nélson Évora e Naide Gomes "continuam com muito más condições para treinar". Luís Leite relembra que há um ano foi convocado para uma reunião no IDP, pra explicar um projecto apresentado, na altura de custo calculado em cerca de 2,5 milhões de euros. "Os técnicos do IDP acharam que a proposta era muito interessante, mas entenderam que se devia logo corrigir o cálculo de custos para cinco milhões de euros", disse.
Segundo o presidente do IDP, Luís Sardinha, "os trabalhos de construção da nova infra-estrutura de treino do Jamor poderão começar ainda em 2008, se não houver qualquer vicissitude nos concursos".
"Já foi dito, clara e explicitamente. É um compromisso assumido publicamente. O IDP está a finalizar o plano de trabalhos, ficando a faltar os concursos públicos para o projecto, que contamos estar terminado ainda no primeiro trimestre de 2008, e, posteriormente, para a construção", afirmou Luís Sardinha.
Ao IDP, Luís Leite apresentou um documento, de quatro páginas, explicando o essencial do que seria essa "Oficina de Treino", no Jamor: "teria o +miolo+ de uma pista coberta normal, com áreas para lançamento do peso e ainda um círculo para lançamentos de disco, além de uma zona de musculação".
Tudo ficaria num espaço de 90 por 40 metros, prescindindo-se de uma oval de corridas, que não só iria aumentar o preço em demasia mas também não teria espaço no local do Complexo do Jamor para que estava pensada, faltando-lhe largura - seria necessário 110 por 70 metros.
Para o meio-fundo, o treino no Inverno não se põe, defende Luís Leite, podendo fazer-se ao ar livre, mas nas outras especialidades o caso muda de figura: "o problema coloca-se com os esforços explosivos, dos concursistas, que desde que deixou de haver condições na Luz e Alvalade não têm local em condições para treinar".
Nélson Évora, por exemplo, utiliza no Estádio da Luz uma improvisada zona de seis tapetes "herdada" da pista de aquecimento do Mundial de 2001 - "um corredor muito pequeno e curto", e ainda o Estádio Universitário, ao ar livre, mas onde tem uma zona de musculação. 
A FPA apostou em melhorar as condições do campeão do Mundo do triplo salto e já este ano colocou espuma por baixo dos tapetes e colocou colchões para o atleta terminar os multi-saltos. Tudo pago pela estrutura federativa.
Naide Gomes passa grande parte dos seus dias de treino na pista secundária do Jamor, porque está perto do departamento médico da FPA, mas tem de saltar "ao frio e à chuva", em condições que Luís Leite - ele próprio um antigo saltador em altura - considera "altamente propiciadoras de lesões".
 "Treinar com frio é sujeitar-se mais facilmente a contrair lesões", diz. "O frio é causador de roturas musculares", explica, adiantando que não é conveniente saltadores como Nélson ou Naide treinarem com temperaturas abaixo dos 15 graus centígrados. 
"Os saltadores, que têm uma massa muscular bastante desenvolvida e um índice de gordura baixa, são de facto mais atreitos a lesões e para eles a pista coberta para treinos não é um luxo, antes uma condição para se baterem de igual para igual com os seus adversários", acrescenta Luís Leite, descrente de que "Oficina" avance em breve.
"Se os atletas portugueses têm algumas condições para treinar é porque a FPA tem feito o que pode e o que não pode por isso", desabafa. "Quando questionado sobre este tema, o secretário de Estado (com a pasta do Desporto, Laurentino Dias) referiu as pistas cobertas de Espinho e Pombal. Mas tanto o Nelson e a Naide têm a sua vida estruturada em Lisboa, não podem ir treinar a Pombal... em Lisboa nunca houve condições". Da parte do Estado, refere a construção na pista do Estádio Nacional de novos balneários e salas de apoio - "sem nos avisarem, começaram a construir" -, para ultrapassar o que considerava ser "uma situaçãp completamente deplorável. Isto enquanto continua à espera novidadades da "Oficina" que idealizou.


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