Rússia ameaça retaliações contra EUA devido a venda de armas à Ucrânia

Rússia ameaça retaliações contra EUA devido a venda de armas à Ucrânia

 

AO/Lusa   Internacional   13 de Dez de 2014, 16:46

A Rússia ameaçou este sábado tomar medidas de retaliação contra os Estados Unidos após a adoção de um projeto que autoriza a venda de "armas letais" para a Ucrânia e novas sanções contra Moscovo.

 

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o homólogo russo, Serguei Lavrov, vão reunir-se no domingo em Roma, um encontro que esteve agendado inicialmente para segunda-feira.

No terreno, cinco dias após o anúncio de tréguas no Estado separatista pró-russo, no leste da Ucrânia, tiros de morteiro e disparos de lança-foguetes foram sentidos durante duas horas junto ao aeroporto da cidade de Donetsk, segundo o relato de um jornalista da France Press, que refere também que se verificaram disparos de artilharia na cidade vizinha de Piski, sob controlo das forças de Kiev.

A posição de Moscovo foi desencadeada pela “ata de apoio à liberdade da Ucrânia”, um documento aprovado por unanimidade pelos congressistas dos Estados Unidos e que autoriza - pela primeira - vez a venda de "armas letais" para a Ucrânia.

“Não há qualquer dúvida de que não podemos deixar de responder” às novas sanções que também são evocadas no mesmo documento sobre o envio de armamento, disse à agência Interfax o vice-ministro-russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov.

O mesmo membro do Governo de Moscovo referiu-se a “decisões inaceitáveis” e a “sentimentos contra a Rússia”, criticando abertamente a votação do Congresso dos Estados Unidos, qualificada como “histórica” pelos deputados ucranianos.

O voto do Congresso norte-americano constitui um primeiro passo carregado de simbolismo para a Ucrânia, que tenta convencer os países aliados a venderem armas a Kiev.

Os soldados governamentais ucranianos encontram-se mal equipados em relação aos separatistas pró-russos que são abastecidos, segundo Kiev e os países ocidentais, pelo executivo de Moscovo.

Para analistas consultados pela AFP o voto do Congresso não significa que, no limite, Barack Obama decida vender armamento às forças ucranianas.

O Presidente dos Estados Unidos, até ao momento, tem preferido o fornecimento de material “não letal” como radares, equipamento de visão noturna ou coletes à prova de bala.

Kiev tem igualmente pedido à União Europeia para “manter sobre a mesa” a possibilidade de aplicação de novas sanções contra Moscovo.

A Rússia “está a jogar” e “tenta criar uma cortina de fumo” sobre o papel que está a desempenhar no conflito, acusou em Bruxelas o embaixador ucraniano Konstantin Elisseiev.

Na região leste da Ucrânia as forças governamentais denunciaram hoje onze ataques separatistas contra as posições do exército, denunciando também a utilização de um drone (avião não tripulado) sobre o porto estratégico de Marioupol, a última grande cidade da região que ainda se encontra sob o controlo de Kiev.

Na terça-feira foram anunciadas tréguas na zona de fronteira com a Rússia onde, segundo as Nações Unidas, morreram 4.634 pessoas desde o início dos confrontos, sendo que as últimas trezentas vítimas mortais registaram-se durante as últimas três semanas.


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