Rui Machete garante não ter identificado portugueses ligados ao Estado Islâmico

Rui Machete garante não ter identificado portugueses ligados ao Estado Islâmico

 

Lusa/AO online   Nacional   24 de Out de 2014, 18:43

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, garantiu não ter revelado "qualquer informação" que permita identificar os portugueses ligados ao grupo jihadista Estado Islâmico e manifestou-se disponível para ser ouvido no parlamento à porta aberta.

 

"Nas declarações que proferi à Rádio Renascença, não consta qualquer tipo de informação que permita a identificação de cidadãos portugueses que participem neste movimento terrorista", disse o ministro, perante as bancadas do PSD e do CDS-PP, nas jornadas parlamentares, que decorrem hoje na Assembleia da República.

O governante afirmou ainda ter "todo o gosto em vir" ao parlamento, "mais concretamente à comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, prestar todos os esclarecimentos que os senhores deputados entendam por bem" e disse estar disponível "para que essa audiência possa decorrer à porta aberta".

Na entrevista, o ministro fez declarações sobre portugueses envolvidos no autointitulado Estado Islâmico que quererão regressar a Portugal. Segundo o Diário de Notícias de quinta-feira, tais afirmações corresponderão a "informação secreta" e terão causado mal-estar no Governo, mas Machete já negou ter revelado informação deste tipo.

Na sua edição de hoje, o Diário de Notícias revela que no Conselho de Ministros de quinta-feira, o caso chegou a provocar momentos de tensão entre governantes, com o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, a considerar inaceitáveis as declarações do responsável da diplomacia.

O PS pediu a audição, à porta fechada, do ministro, classificando de "irresponsáveis" as declarações do chefe da diplomacia portuguesa e considera poder tratar-se de um caso de informação sigilosa.

Na sua intervenção perante os deputados - que não foi presenciada por Miguel Macedo, que chegaria mais tarde às jornadas -, Rui Machete sublinhou que, ao contrário das suas declarações, diversos órgãos de comunicação social têm "revelado nomes, dados pessoais e até fotografias" destas pessoas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros salientou que, "ao aderirem a movimentos terroristas, estes jovens colocam-se a eles próprios em risco e passam a constituir um risco para a nossa sociedade, para a segurança do país, sem margem para qualquer enviesamento ou inversão de valores".

Sublinhando que o autodesignado Estado Islâmico (EI) é "uma organização criminosa e terrorista", Machete defendeu que "nenhum membro da coligação internacional poderá permitir qualquer tipo de concessão".

"Como ministro dos Negócios Estrangeiros, compete-me defender isso mesmo", destacou.

Sobre a participação de combatentes estrangeiros nas fileiras do EI, Rui Machete recordou que, no caso português, "é do conhecimento geral que este problema se restringe a um reduzido número de cidadãos" - na entrevista, declarara serem entre 12 a 15 cidadãos nacionais.

"Mas, tal como noutros países da coligação internacional promovida pelo Presidente [dos Estados Unidos] Obama, esse facto não impede que se coloquem questões de muito difícil resolução no que respeita à reintegração destes cidadãos na sociedade, uma vez que estará em causa a prática de atos criminosos", sustentou.

Rui Machete referiu ainda que "a abordagem a este tema tem de evidentemente obedecer à necessária discrição" e assegurou que o ministério que dirige, "garantindo a articulação nesta matéria ao nível bilateral e multilateral, através dos canais políticos e diplomáticos, mantém, ao nível interno, uma estreita colaboração e articulação com as autoridades nacionais competentes".

O governante alertou depois para o "poder financeiro" e a "sofisticação inédita" do recrutamento deste movimento terrorista, "uma ameaça para a qual os responsáveis políticos têm a obrigação de alertar, de dissuadir", o que argumenta ter feito na entrevista à Rádio Renascença.

O ministro elogiou ainda "o trabalho da diplomacia portuguesa" a eleição de Portugal para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, esta terça-feira, e o "acordo decisivo" alcançado hoje para a interligação do país às redes energéticas europeias.


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