Rotas da SATA para Europa geram défice de 25,8 ME mas impacto na economia de 65,8 ME

Rotas da SATA para Europa geram défice de 25,8 ME mas impacto na economia de 65,8 ME

 

Lusa/AO Online   Regional   22 de Jul de 2015, 18:55

O administrador da SATA Francisco Gil disse esta quarta-feira que o défice de exploração das rotas europeias asseguradas pela companhia foi de 25,8 milhões de euros mas um contributo para a economia regional de 65,8 milhões.

 

“Podemos concluir que a SATA, nos últimos seis anos, de 2009 a 2014, contribuiu com 40 milhões de euros para a economia regional”, afirmou o vogal da administração do grupo SATA, que hoje foi ouvido em sede da comissão de inquérito às contas da companhia, em Ponta Delgada.

Francisco Gil explicou aos deputados que se for considerado um gasto médio de 110 euros por turista (hotelaria, aluguer de viatura, animação e restauração), os turistas transportados para os Açores deixaram na economia regional cerca de 65,8 milhões de euros, de 2009 a 2014.

Em 2014, o vogal da SATA referiu que as rotas europeias transportaram cerca 64 mil passageiros, o que afirmou corresponder a cerca de um quinto das dormidas da região, tendo acrescentado que, apesar do défice, a evolução dos indicadores é positiva.

Na sua opinião, não é linear que se a SATA deixasse de assegurar rotas na Europa não existisse défice associado, uma vez que não há voos alternativos para as substituir, nem com maior rentabilidade.

O administrador do grupo de aviação açoriano concretizou que os voos da Europa ocupam quatro dias de um avião A320, que ficaria sem operação, obrigando, na sua leitura, a que o défice atual do continente europeu fosse transferido para outras rotas, de acordo com o número de horas de voo.

Francisco Gil considerou que o grupo SATA reagiu bem à liberalização do mercado aéreo entre os Açores e o continente e que a instabilidade laboral que se gerou com as greves na companhia perturbou a confiança do mercado, tendo-se perdido entretanto rotas como a de Cabo Verde.

O vogal da administração do grupo adiantou que, para combater o caráter sazonal da operação da SATA, se tem otimizado a rede da Macaronésia com a América do Norte, vendendo-se, por exemplo, o sol das Canárias ou produtos na Madeira para canadianos e americanos.

A SATA, ainda segundo Francisco Gil, vai continuar a aposta da venda de produtos ‘online’, a par de campanhas de promoção que visam atrair clientes para novos segmentos como a neve e o ‘shopping’.

O modelo ‘branded fares, entretanto adotado em 2013 para os EUA e Canadá, permitiu baixar as tarifas da SATA, tendo havido, segundo Francisco Gil, um acréscimo de vinte e cinco mil passageiros transportados em 2014, ou seja, o que corresponde a mais 15% do tráfego nestes mercados.

Apesar da adoção deste novo modelo e do aumento real, os valores gerados não foram suficientes para cobrir os custos fixos adicionais resultantes do aumento da capacidade associadas as rotas da América do Norte.

Questionado por vários deputados da oposição da comissão de inquérito sobre a opção de realizar rotas europeias, Francisco Gil afirmou que esta foi do acionista (Governo Regional), mas dada com a indicação de que as mesmas só se deveriam realizar se fosse possível cobrir o défice com outras opções comerciais.

Durante a sua audição na comissão de inquérito, Gomes de Menezes, ex-presidente da SATA, já se havia referido também às rotas deficitárias para a Europa que a empresa abriu durante a sua administração, explicando que resultaram de uma solicitação do Governo dos Açores.


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