Romeiros de São Miguel querem reunir acervo histórico da tradição

Romeiros de São Miguel querem reunir acervo histórico da tradição

 

Lusa/AO online   Regional   17 de Fev de 2018, 16:04

O Movimento de Romeiros de São Miguel, onde os primeiros 12 ranchos saíram hoje para a estrada, quer congregar o importante acervo histórico e os símbolos identitários das romarias, para divulgá-los em exposições pelas freguesias da maior ilha açoriana.

"O nosso objetivo é congregar o acervo histórico que está disperso em São Miguel, ao nível de livros, dos objetos das romarias, como os bordões e xailes, e ainda fotografias, tudo símbolos identitários que queremos expor", afirmou o presidente do Movimento de Romeiros de São Miguel, João Carlos Leite, em declarações à agência Lusa.

Segundo o responsável, a ideia é congregar o acervo e posteriormente expor estes objetos na Casa do Romeiro, na Lagoa, em São Miguel, um espaço cedido pelo município, mas também nas freguesias, para perpetuar a tradição.

Este ano vão percorrer as estradas da ilha 55 grupos de romeiros, dois dos quais do Canadá. Estima-se que as romarias da Quaresma integrem cerca de 2.500 homens que percorrem muitos quilómetros a pé durante uma semana, levando um xaile, um lenço, um saco para alimentos, um bordão e um terço, entoando cânticos e rezando.

João Carlos Leite adiantou ainda que "este ano há um rancho que vai retomar as romarias, oriundo da Fazenda do Nordeste, e que há alguns anos que não saía".

Salientando a forte tradição que as romarias têm em São Miguel, o responsável sublinhou o facto de esta ser uma das principais manifestações de religiosidade popular da ilha.

"Os romeiros, ao longo dos últimos 20 anos, vieram num crescendo. Éramos cerca de 22 ranchos agora somos 54 e a generalidade das paróquias até tem dois ranchos de romeiros", referiu.

O coordenador do Movimento de Romeiros de São Miguel sublinhou que a romaria é também "uma caminhada de índole muito pessoal".

"Há a vivência própria do grupo, mas cada um faz a sua própria romaria em termos de meditação e reflexão. Há grandes momentos de silêncio, o que permite uma certa introspeção", explicou.

Os primeiros ranchos saem para a estrada no fim de semana a seguir à Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta-feira Santa, este ano dia 29 de março.

João Carlos Leite referiu que este ano, tal como em 2017, as romarias estão na estrada pela altura do rali regional, que decorre de 22 a 24 de março. Nesse fim de semana estarão na rua 15 ranchos de romeiros, pelo que apelou à precaução dos automobilistas.

Estas romarias quaresmais, segundo a tradição, tiveram origem na sequência de terramotos e erupções vulcânicas registados no século XVI na ilha, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.

Os ranchos tradicionais, onde só homens podem participar (surgiram entretanto romarias de mulheres, mas na maioria duram apenas um dia), são organizados e devem cumprir um percurso, sempre com mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas de S. Miguel.

A média de elementos de cada grupo ronda os 50 homens.

Durante o período em que estão na estrada, os romeiros dormem em casas particulares ou em salões paroquiais, devendo iniciar a caminhada antes do amanhecer e entrar nas localidades logo a seguir ao pôr-do-sol.



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