Roberto Monteiro desafia EUA a demonstrarem investimentos na Terceira

Roberto Monteiro desafia EUA a demonstrarem investimentos na Terceira

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   5 de Mai de 2017, 11:45

O presidente da Câmara da Praia da Vitória desafiou a encarregada de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa a demonstrar publicamente os investimentos e medidas com impacto na economia do concelho e da Terceira.

"Não podemos pactuar com declarações deste âmbito, que não se refletem na realidade. Não posso pactuar com esta atitude de dizer uma coisa lá longe, em Lisboa, desvirtuando a realidade. Na Praia da Vitória e na Ilha Terceira ninguém vê essas medidas, nem os impactos delas. Portanto, é imperativo que a Encarregada de Negócios dos EUA em Portugal venha publicamente esclarecer e nomear cada medida e qual o seu impacto no nosso Concelho e na Ilha", sustentou Roberto Monteiro, numa nota de imprensa hoje divulgada.

Segundo a nota divulgada pelo municipio, a reação do autarca surge após as declarações da diplomata norte-americana, Herro Mustafa, "alegando que, fora da base militar, os EUA estão a fazer muito" em áreas desde a educação à pesca sustentável e à ciência "para ajudar a economia local".

"Temos apenas assistido a sucessivas visitas de responsáveis americanos, que apresentam sempre imensa vontade em ajudar e cooperar, mas, depois, nada acontece", sustenta o autarca, alertando que a Praia da Vitória continua a sofrer o impacto da redução do efetivo militar americano nas Lajes, em termos ambientais, económicos e sociais.

E isto, "sem que quem, de facto, provocou estas situações nada faça, embora vá dizendo aos microfones da comunicação social nacional que anda a fazer imenso", acrescentou Roberto Monteiro que desafia a responsável norte-americana a justificar publicamente as medidas e impactos desse trabalho na Praia da Vitória e na ilha Terceira.

Na quinta-feira, a encarregada de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, garantiu que os militares norte-americanos não vão sair nem diminuir a sua presença na Base Aérea das Lajes, nos Açores.

"Em absoluto, não! Não estamos a pensar em sair nem em diminuir a nossa presença na [Base das] Lajes. Em absoluto! Anunciámos recentemente que iríamos fazer um investimento de nove milhões de dólares em projetos de modernização nas Lajes. Continuamos a pensar em formas de renovar, mesmo diminuindo o número de pessoal, no interior da base", disse a diplomata norte-americana aos jornalistas no final de um almoço organizado pela Câmara do Comércio Americana em Portugal.

Herro Mustafa também referiu que os Estados Unidos estão a trabalhar com o Governo Regional dos Açores e com o Governo português para "expandir a colaboração na região" em projetos no exterior da base.

"Já estive três vezes nos Açores, em ilhas diferentes, encontrei-me com os vossos ministros e discutimos formas de melhorar a nossa colaboração. Temos uma lista de projetos sobre os quais concordámos em trabalhar em conjunto", disse a responsável.

"Temos também de garantir que quando olhamos para os Açores, olhamos para todas as ilhas e que, em conjunto, podemos fazer tudo ao nosso alcance para tentar ajudar a economia da região", realçou.

A encarregada de negócios deu ainda alguns exemplos concretos sobre o tipo de ajuda à economia local, nomeadamente na formação a empresários açorianos, intercâmbio de estudantes e projetos no setor da pesca sustentável. "Vamos continuar a fazer isso", sublinhou.

Herro Mustafa é ministra Conselheira da Embaixada Americana em Lisboa desde julho de 2016, tendo assumido o cargo de Encarregada de Negócios em janeiro deste ano.

Em janeiro de 2015 os EUA anunciaram que iriam proceder a uma redução gradual dos trabalhadores portugueses na base das Lajes, de 900 para 400 pessoas e que os civis e militares norte-americanos iriam passar de 650 para 165.


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