Resultados dos alunos açorianos dividem opiniões no parlamento regional

Resultados dos alunos açorianos dividem opiniões no parlamento regional

 

Lusa/AO online   Regional   21 de Fev de 2018, 16:04

Os resultados dos alunos açorianos nos exames nacionais dividiram hoje a opinião dos deputados na Assembleia Legislativa dos Açores, com o PS a destacar a evolução "positiva" dos números e a oposição a falar em "falhanço".

O assunto foi levantado pela bancada socialista, que está em maioria no parlamento regional, e que, através de uma interpelação ao Governo, realçou os mais recentes resultados obtidos pelas escolas açorianas nos exames e provas nacionais, que revelam um "progresso consistente".

"Queremos perceber o que está a ser bem feito, mas também o que está menos bem e o que falta fazer", adiantou Susana Costa, deputada socialista, que reconheceu, porém, que a sua bancada "não está satisfeita", na generalidade, com os resultados obtidos pelas escolas da região.

Segundo explicou, algumas escolas dos Açores conseguiram subir na classificação, ao passo que outras obtiveram resultados "muitos positivos" em determinadas disciplinas, reconhecendo, mesmo assim, que "a Educação é um investimento lento e moroso".

"Nós não estamos aqui para comparar alunos. Nós não estamos aqui para comparar professores. Nós estamos aqui para avaliar o progresso dos alunos que é uma coisa muito diferente de vir aqui falar de rankings", esclareceu Sónia Nicolau, também da bancada socialista.

Graça Silveira, do CDS, entende por seu turno que os resultados obtidos pelos alunos açorianos, são "medíocres" e acusou a maioria do socialista e o Governo de tentarem branquear os dados estatísticos.

"Para nós, 9,5% é medíocre. Portanto, o Governo e o PS podem embrulhar estes 9,5% em papel cor-de-rosa, em papel dourado, naquilo que quiserem, 9,5% foi, é e continuará a ser uma nota medíocre", insistiu a deputada centrista.

Também o deputado António Lima, do Bloco de Esquerda, destacou alguns dados negativos registados nos últimos exames nacionais pelos alunos açorianos, para concluir que é necessário investir mais nesta área.

"Apesar da implementação de programas como o pró-sucesso, o que é certo é que em 2017, pela primeira vez desde 2013, o abandono escolar voltou a subir quase um ponto percentual nos Açores", lamentou o parlamentar bloquista.

As críticas dos partidos da oposição fizeram com que o secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, tivesse acabado por admitir que as "ligeiras melhorias" alcançadas nos últimos exames nacionais pelos alunos açorianos, ainda sabem a pouco.

"Obviamente, não estamos bem. Alcançaremos no devido tempo a taxa que queremos? Até é provável que não", reconheceu o governante, insistindo, porém, que a região irá retomar a "senda de progresso" que permitirá alcançar o "objetivo" de alinhar a taxa de abandono escolar precoce dos Açores, com as taxas do país e da Europa.

O presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, prosseguiu em nome do executivo, realçando a "evolução positiva" que os alunos dos Açores registaram nas provas nacionais.

"Aquilo que tem sido feito na região é um trajeto de recuperação consistente e coerente, ao longo dos anos, ao nível dos diversos indicadores do sistema educativo, incluindo na taxa de abandono escolar precoce", sublinhou o chefe do executivo, realçando o "progresso" registado também em vários outros indicadores.

O discurso de Vasco Cordeiro mereceu, no entanto, a crítica do líder parlamentar do PSD, Duarte Freitas, que entende que os resultados obtidos na Educação nos Açores, revelam que este "foi um dos maiores falhanços" da governação socialista.

"Em vez de assumirem este falhanço, em vez de encararem a Educação com a prioridade das prioridades, em vez até de recolherem as boas propostas dos partidos da oposição, tentam iludir, como se tudo estivesse bem", apontou o líder regional dos sociais-democratas, lembrando que "infelizmente", "não está tudo bem".



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