Resultados das escolas dos Açores dividem Governo Regional e oposição

Resultados das escolas dos Açores dividem Governo Regional e oposição

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   17 de Jan de 2017, 16:33

Os resultados das escolas dos Açores em vários 'rankings' dividiram o Governo Regional, liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, e a oposição, no plenário do parlamento regional.

A sessão de perguntas, requerida pelo deputado único do Partido Popular Monárquico (PPM), Paulo Estêvão, que prossegue esta tarde, visa os resultados obtidos pelo sistema educativo açoriano no âmbito do PISA e nos rankings das escolas do ensino básico e secundário.

O PISA (sigla em inglês) é o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, da responsabilidade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em que Portugal participa desde 2000 e que se dirige aos alunos de 15 anos, entre o 7.º e o 12.º ano.

"A questão que nós temos aqui é muito simples, é quem é que diz a verdade, quem se preocupa em melhorar o sistema e quem é que falsifica os dados e produz informações absolutamente falsas", afirmou Paulo Estêvão, acusando as políticas educativas do executivo açoriano de serem "um desastre".

Segundo o deputado, os Açores estão em "último lugar" em Portugal no âmbito dos testes PISA e afastaram-se da média nacional, o que foi desmentido pelo secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses.

"Sobrevalorizar os resultados do PISA, sobrevalorizar a hierarquização dos rankings escolares quando propositadamente se ocultam os melhores resultados do TIMMS [Trends in International Mathematics and Science Study, uma avaliação internacional do desempenho dos alunos] e dos excelentes resultados do TIMMS Advanced, é uma prova de desrespeito pela comunidade educativa dos Açores, pelos alunos que estudam, pelos professores que ensinam, pelas famílias que acompanham e pelos dirigentes que regulam as escolas", contrapôs Avelino Meneses.

Graça Silveira, do CDS-PP, considerou, contudo, que "tentar misturar os resultados do PISA com os resultados do TIMMS é que é um desrespeito pelos deputados".

Paulo Mendes, do Bloco de Esquerda, reconheceu o esforço feito pelos governos do PSD e do PS no arquipélago, mas lamentou que se desinvista "cada vez mais" na Educação quando se devia "investir mais do que nunca" para se ultrapassar "décadas de atraso", e João Paulo Corvelo (PCP) alertou para a precariedade na função docente.

O governante discordou sobre o investimento realizado na Educação e lembrou que, em matéria de docência, sempre que é identificada uma necessidade permanente no sistema educativo suprida por um professor contratado procede-se à abertura de uma vaga para o quadro.

Sónia Nicolau, do PS, maior partido na Assembleia Legislativa Regional, estranhou que a oposição não traga "nenhuma palavra sobre os bons resultados nos Açores", enquanto Maria João Carreiro (PSD) expressou preocupação com os resultados dos estudos, notando, por outro lado, que os Açores lideram o insucesso e abandono escolares.

Avelino Meneses apontou o trabalho do Governo Regional no âmbito do ProSucesso, programa de combate ao insucesso escolar, sendo que antes referiu que "estes estudos internacionais de avaliação de estudantes" são "apenas uma achega para o conhecimento do que se passa na educação".

Paulo Estêvão acusou ainda Avelino Meneses de tentar "induzir a comunicação social e os açorianos em erro" com a interpretação feita dos resultados, "acusação torpe" que o governante tornou a negar.


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