Restaurante português nos EUA usado para esquema de lavagem


 

Lusa/AO online   Internacional   22 de Out de 2014, 11:19

O restaurante português Portucale, no bairro do Ironbound, Newark, foi usado como base para um esquema de lavagem de dinheiro de uma mafia italiana, com origens em Geneva, de 400 milhões de dólares (315 milhões de euros).

 

Segundo as autoridades, o restaurante era propriedade de Abel Rodrigues, um emigrante minhoto de 52 anos que foi detido hoje e acusado de extorsão, lavagem de dinheiro, associação criminosa, de operar uma estação de troca de cheques não licenciada e preencher declarações falsas de impostos.

A pena para extorsão e lavagem de dinheiro vai de 10 a 20 anos, que pode acumular com as outras penas.

Segundo a acusação, conhecida na tarde de hoje, Rodrigues deixava que os clientes trocassem cheques de elevados montantes - alguns de mais de 10 mil dólares -, sem pedir identificação ou manter registos, permitindo que esses clientes transacionassem dinheiro sem vestígios.

Em troca da ilegalidade, o português cobraria uma comissão de três por cento. Ao longo dos quatro anos que durou a operação, o esquema terá gerado um lucro de nove milhões de dólares (cerca de 7 milhões de euros).

Segundo o procurador do Estado de Nova Jérsia responsável pela acusação, John Hoffman, Rodrigues terá mantido apenas um por cento da comissão, dando o resto a Domenick Pucillo, que gere a empresa Tri-State Check Cashing, que financiou o esquema.

Por sua vez, Pucillo dava um quarto dos lucros a Manuel Rodrigues, que levava o resto do lucro aos líderes de crime organizado Vito Alberti e Charles "Chuckie" Tuzzo.

Tuzzo, de 80 anos, foi hoje acusado, juntamente com outros 11 homens, de lavagem de dinheiro e vários esquemas mafiosos, como agiotagem e apostas desportivas ilegais.

Também detida foi a mulher de Rodrigues, a brasileira Flor Miranda, que trabalhava como gerente de escritório da Tri-State Check Cashing.

Segundo a acusação, Miranda recebia pagamentos do esquema de agiotagem e mantinha registos de outras operações ilegais.

"Estavam a operar com os velhos truques da mafia, incluindo agiotagem e lavagem de dinheiro, lucrando milhões de dólares", disse o procurador Hoffman, acrescentando: "A história ensina-nos que, desde que existe procura para emprestimos ilicitos, jogos ilegais, drogas e outros mercados e serviços do mercado negro, o crime organizado vai procurer o lucro, tornando-se predador da sociedade."

Uma estação de televisão e alguns jornalistas concentravam-se terça-feira à noite em frente ao restaurante Portucale, que tinha sido recentemente remodelado, incluindo uma esplanada com uma fonte, fachada decorada com tijolo e um pequeno alpendre.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.