Resistência aos antimicrobianos ameaça tratamento de doenças

Resistência aos antimicrobianos ameaça tratamento de doenças

 

Lusa/AO online   Ciência   11 de Fev de 2016, 11:16

A resistência aos antimicrobianos está a aumentar na União Europeia (UE), principalmente no sul e no leste do território, e ameaça o tratamento de doenças como a salmonela, avisou a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar.

 

O último relatório deste organismo detetou um aumento da resistência aos antimicrobianos (como os antibióticos), utilizados contra as duas doenças de origem animal mais frequente entre os humanos, a campilobacteriosis e a salmonelosis.

Este aumento da resistência aos antimicrobianos “cria um risco grave para a saúde humana e animal”, segundo um comunicado da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA, na sua sigla em inglês), que tem sede em Parma (norte de Itália).

O comissário europeu de Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, considerou que este aumento da resistência antimicrobiana é um “problema global” e recordou que na União Europeia causa cerca de 25 mil mortes por ano.

O relatório, elaborado conjuntamente pela EFSA e pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças, detetou provas de resistência ao antibiótico colistina em salmonela e E-.Coli em aves na União Europeia.

Esta descoberta é “preocupante porque significa que este medicamento pode rapidamente deixar de ser eficaz no tratamento de infeções humanas graves com salmonela”, considerou Mike Catchpole, responsácel científico daquele centro europeu.

O documento, que se baseia em dados fornecidos pelos Estados membros em 2014, detetou, além disso, que existem diferenças na resistência segundo as zonas europeias: os níveis mais elevados de resistência antimicrobiana estão no leste e sul da Europa.

No caso da campilobacteriorisis, o estudo constata a existência da resistência a antimicrobianos utilizados de forma comum, como a ciprofloxacina, em bactérias em humanos e em aves. A resistência é especialmente alta a este antibiótico em frangos para consumos humano e em bactérias em humanos.

Também se detetaram níveis altos a muito altos de resistência ao ácido nalidíxico e às tetraciclinas em frangos.

No caso dos antibióticos muito utilizados contra a salmonela, detetou-se resistência e, diferentes graus entre os humanos (tetraciclinas, sulfonamidas e ampicilina) e nos frangos.

O relatório destaca uma preocupação específica com o tratamento de dois tipos de bactérias de salmonela, a Kentucky e a Infantis, após terem sido encontrados elevados níveis de resistência à ciprofloxacina e a multimedicamentos.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.