Representante da República para os Açores diz que a autonomia não foi o único fator de progresso da Região

Representante da República para os Açores diz que a autonomia não foi o único fator de progresso da Região

 

Lusa / AO online   Regional   11 de Jun de 2016, 10:42

O Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, considerou que o desenvolvimento económico do arquipélago não se deve exclusivamente à sua autonomia, mas também à solidariedade da República e aos fundos comunitários.

 

"A autonomia político-administrativa tem seguramente constituído um fator determinante do assinalável progresso económico-social dos Açores. Mas a solidez e a estabilidade do quadro institucional democrático em que esta se move, tanto a nível nacional como regional, bem como a solidariedade firme e persistente da República, mormente no plano financeiro, assim como as políticas de coesão da União Europeia, não o são menos. Nenhuma casa se constrói com um único pilar, por mais forte que ele seja. A força resulta da conjugação de esforços", frisou.

Pedro Catarino falava na cerimónia das comemorações do Dia de Portugal, que decorreram em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Há um ano, no Dia da Região Autónoma dos Açores, o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, defendeu a extinção do cargo de Representante da República nas regiões autónomas, tendo promovido, este ano, encontros para debater a reforma da autonomia com os partidos políticos com representação parlamentar, que já se manifestaram a favor da extinção do cargo.

Sem se referir a ideias específicas ou ao consenso partidário em defesa da extinção do cargo que ocupa, Pedro Catarino lembrou que o Estatuto Político-Administrativo dos Açores classifica a açorianidade como uma forma "singular e orgulhosa de portuguesismo".

"Nenhuma ideia -- nem mesmo as que nos parecem mais sublimes - ganha em estar acima da controvérsia e da crítica pública. A nossa adesão individual aos princípios constitucionais, da democracia, da liberdade, da transparência, da tolerância ou da autonomia, não deve excluir o debate profundo sobre o seu significado concreto e os seus limites numa sociedade democrática", salientou.

O Representante da República para os Açores criticou ainda os consensos artificiais, que se sobrepõem ao debate público.

"Em democracia, a força das ideias e das instituições que as concretizam resulta mais do debate público, desinibido e vibrante, do que propriamente da apologia de um consenso compulsivo, que constrange a liberdade individual, obnubila a divergência crítica e esbate a imaginação criativa. A democracia tem na liberdade de expressão a sua fonte de oxigénio e, por isso, tem dificuldade em respirar sob a pressão do consenso artificial, do politicamente correto e da padronização do discurso político e ideológico", frisou.

Este ano, as comemorações do Dia de Portugal nos Açores ficaram marcadas pela inauguração de uma estátua de Vasco da Gama em Angra do Heroísmo, oferecida por Vítor Baptista, um emigrante açoriano, a viver nos Estados Unidos da América, que foi condecorado pelo Representante da República.

Pedro Catarino destacou "amor à Mãe Pátria" e a "generosidade" de Vítor Baptista, acrescentando que as comunidades portuguesas no estrangeiro devem ser consideradas como "um ativo que deverá ser valorizado e potenciado em todas as suas vertentes".

O Representante da República para os Açores condecorou ainda o Lar Mãe de Deus, de Ponta Delgada (São Miguel), que acolhe, há mais de 100 anos, crianças e jovens em situação de risco.

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