Representante da República na Madeira evoca "tormenta" devido à crise

Representante da República na Madeira evoca "tormenta" devido à crise

 

LUSA/AO Online   Nacional   10 de Jun de 2015, 14:55

O Representante da República na Madeira, Ireneu Barreto, evocou hoje, no Funchal, a "tormenta dos últimos anos" vivida pelos portugueses devido à crise e realçou que "não há coesão nacional nem verdadeira solidariedade" fora dos limites da dignidade humana.

"Considero que não há realmente liberdade quando falta trabalho. A redução do desemprego deve ser matéria urgente da agenda política e social", afirmou Ireneu Barreto, durante a cerimónia de agraciamento a dois madeirenses e uma instituição regional, no Palácio de São Lourenço, no âmbito das comemorações do 10 de Junho. O Representante da República vincou que os últimos anos foram, para muitos portugueses, de "flagelo social", salientando que os seus efeitos não podem ser ignorados. Ireneu Barreto, cujo mandato termina em simultâneo com o do presidente da República, defendeu acima de tudo uma aposta na educação, considerando que esta representa, atualmente, um "desígnio nacional" com uma "intensidade sem precedentes" na história do país. No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses, o responsável destacou a importância da língua e o papel dos emigrantes, que projetam a cultura nacional por todo o mundo e instituições internacionais, sublinhando que "a Constituição não cauciona um afastamento, senão de detalhe, entre portugueses residentes no território nacional e aqueles que se encontram no estrangeiro". Por seu turno, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Tranquada Gomes, disse que as dificuldades estruturais da região autónoma só poderão ser atenuadas com o cumprimento do princípio da continuidade territorial por parte do Estado. "Vivemos hoje tempos difíceis, não o podemos negar. As nossas dificuldades estruturais, que emergem da condição de região ultraperiférica, persistem e só o cumprimento pelo Estado, em permanência e sem qualquer subterfúgio ou reserva mental, do princípio da continuidade territorial poderá atenuá-las", declarou Tranquada Gomes, na cerimónia de homenagem às comunidades portuguesas, na Avenida do Mar. O presidente da Assembleia Legislativa disse que a Madeira entrou num novo ciclo político, embora esteja a enfrentar um "doloroso processo" de consolidação das finanças públicas através do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro. "Temos de conseguir encontrar emprego para os nossos jovens. Temos de dar igualmente esperança aos desempregados de longa duração, aos nossos reformados e pensionistas que merecem uma vida digna", disse Tranquada Gomes, sublinhando que, para atingir estes objetivos, o parlamento regional está a preparar legislação para ser discutida na Assembleia da República no sentido de obter "mais e melhor" autonomia fiscal. Na homenagem aos emigrantes, discursou também o secretário dos Assuntos Parlamentares, Sérgio Marques, que evocou a importância das comunidades madeirenses ao darem "profundidade estratégica" à região. Elaine Silva, filha de madeirenses, nascida no Equador, e Osvaldo Costa, emigrante na Venezuela, deram, por seu lado, testemunho do que é "ser emigrante", das dificuldades de inserção noutras culturas, do peso da ausência e do sentimento de gratidão para com o país de acolhimento. O número de emigrantes madeirenses está oficialmente estimado em cerca de um milhão, entre primeira e segunda geração, sendo que as comunidades mais significativas são África do Sul e Venezuela.


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