Reparada avaria no maior acelerador de partículas


 

Lusa/AO online   Ciência   2 de Abr de 2015, 15:29

A avaria verificada há cerca de duas semanas no maior acelerador de partículas do mundo, e que o impedia de funcionar, foi reparada na terça-feira, informou esta quinta-feira a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear/CERN.

 

"Estamos confiantes em voltar a por a máquina a funcionar, no fim de semana, uma vez que todos os testes têm sido, até agora, bem-sucedidos", indicou, citado em comunicado, o diretor dos aceleradores e de tecnologia do CERN, Frédérick Bordry.

A avaria, nos circuitos de ímanes do acelerador, foi detetada a 21 de março. Três dias depois, o CERN, do qual Portugal é um dos países-membros, anunciou que a sua reparação poderia demorar "alguns dias ou várias semanas".

Apesar do contratempo, o CERN mantém para junho a retoma da colisão de protões, mas com o dobro da energia, depois de uma paragem técnica de mais de dois anos para melhoramentos, que estão agora a ser testados.

No comunicado hoje divulgado, a organização refere que as equipas "procedem aos últimos testes", após a resolução, na terça-feira, de "um problema que atrasou a retoma do acelerador", e acrescenta que "os primeiros feixes [de partículas] poderão circular na máquina entre sábado e segunda-feira".

O Grande Colisionador de Hadrões (LHC, na sigla inglesa) parou em fevereiro de 2013 para revisão, depois de ter confirmado a existência do Bosão de Higgs, também conhecido como "partícula de Deus", que, para os físicos, é considerada a chave mestra da estrutura fundamental da matéria.

O Bosão de Higgs valeu, nesse ano, o Prémio Nobel da Física para a dupla François Englert (belga) e Peter Higgs (britânico).

O acelerador de partículas, quando voltar a estar totalmente operacional, vai funcionar com o dobro da energia e com feixes mais intensos.

Os cientistas do CERN esperam descobrir novas partículas, que poderão alterar a compreensão do Universo, e irão sondar a supersimetria, um conceito teórico batizado como "Suzy" que procura explicar a matéria escura, matéria invisível que compõe cerca de um quarto de toda a matéria e energia do Universo e que manifesta a sua presença através dos efeitos gravitacionais que exerce sobre a matéria visível, como as galáxias e as estrelas.

Feixes com mil milhões de protões, e lançados a uma velocidade muito próxima da luz, vão circular no interior do LHC, um túnel circular escavado no subsolo e com 27 quilómetros de comprimento, situado na fronteira franco-suíça.

As melhorias introduzidas este ano na máquina vão permitir explorar o potencial do acelerador na física para o período 2016-2018.

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