Reorganização de serviços após redução militar foi mal definida

Reorganização de serviços após redução militar foi mal definida

 

Lusa/AO Online   Regional   30 de Set de 2016, 08:28

O processo de redução da força laboral portuguesa na base das Lajes, na ilha Terceira, Açores, está praticamente concluído, mas ainda há uma indefinição na forma como a missão da Força Aérea norte-americana vai funcionar.

 

"Algumas secções foram mais afetadas do que outras mas, de um modo geral, a missão [da Força Aérea norte-americana] continua a ser a mesma, apenas com menos força laboral", disse à agência Lusa Bruno Nogueira, presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores (CRT) portugueses da base das Lajes.

Desde setembro de 2015, a força laboral portuguesa na base foi reduzida praticamente a metade, passando de cerca de 800 funcionários para 410.

No entanto, segundo o representante da CRT, a reorganização de serviços da Força Aérea norte-americana, "não foi bem- sucedida", porque foi feita "sem grande método" e tentando reduzir os trabalhadores por secção "sem atender às necessidades de futuro".

"É muito difícil ver o que é que mudou, tirando o hospital, que foi extinto. Os trabalhadores que ficaram, ficaram com mais responsabilidades e o mesmo trabalho ou ainda mais", frisou.

A administração norte-americana anunciou em janeiro de 2015 uma redução de cerca de 500 militares na base das Lajes e o consequente despedimento de funcionários portugueses.

Face a esta decisão, estava prevista a entrega de infraestruturas utilizadas até então pela Força Aérea norte-americana ao Estado português, o que não chegou a acontecer.

"Mantemos o mesmo número de edifícios e grande parte da missão em termos de pista", adiantou Bruno Nogueira, acrescentando que "a força laboral que ficou não é suficiente para a missão que está a ser levada a cabo".

O efetivo norte-americano na base das Lajes deveria ter sido reduzido para 165 militares até ao fim do ano fiscal (setembro de 2016), mas, atualmente, permanecem na infraestrutura cerca de 300, ainda que muitos se desloquem por períodos de quatro a cinco meses para prestar apoio ao contingente.

Segundo o representante dos trabalhadores portugueses, o atual comandante norte-americano tem intenção de reduzir o efetivo ao número mínimo o mais depressa possível, mas o próximo poderá ter uma visão diferente.

Atualmente, todos os militares norte-americanos são colocados na base das Lajes por um período máximo de um ano, incluído o comandante, o que segundo Bruno Nogueira não dá garantias de estabilidade.

"Pelo menos o comandante devia vir por dois anos para haver uma continuidade", considerou.

Com a redução do efetivo militar, a base das Lajes perdeu autonomia e agora, em vez de responder perante o comando europeu, responde à base de Rammstein, na Alemanha, o que segundo o presidente da CRT causa algum desconforto.

"Aos olhos de Rammstein, a base das Lajes é um empecilho", opinou, alegando que é percetível que a intenção dos militares norte-americanos na Alemanha é encerrar a base na ilha Terceira.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.