Rendimentos mensais acima de 400 euros apenas para 5% dos pescadores de São Miguel

Rendimentos mensais acima de 400 euros apenas para 5% dos pescadores de São Miguel

 

lusa   Regional   30 de Mai de 2010, 12:27

O presidente da Federação das Pescas dos Açores, Liberato Fernandes, revelou hoje que, segundo dados do ano passado, apenas cinco por cento dos pescadores da ilha de S. Miguel ganharam mais de 400 euros por mês.

“Os dados de 2009 revelam a profundidade da crise e que ela vai manter-se e pode acentuar-se”, afirmou Liberato Fernandes, em declarações à Lusa.

Os dados divulgados pelo presidente da federação indicam que 36 por cento dos pescadores ganharam menos de 100 euros por mês e que 31 por cento receberam entre 100 e 200 euros mensais.

Ainda segundo estas estatísticas, 18 por cento dos pescadores ganharam entre 200 e 300 euros mensais, 10 por cento receberam entre 300 e 400 euros e apenas cinco por cento auferiu mais de 400 euros mensais.

O presidente da Federação das Pescas dos Açores salientou, no entanto, que a atual crise económica está a contribuir para que muitos pescadores regressem à sua actividade de origem, depois de se terem mudado para a construção civil quando este setor registou um crescimento da actividade.

“A crise está a fazer com que voltem para a pesca muitos jovens e adultos que trabalhavam em serviços não especializados, como é o caso da construção civil, mas que agora, com a crise, querem voltar ao mar”, afirmou.

Liberato Fernandes considerou, por outro lado, que a crise atual está a afetar toda a fileira da pesca e não só os armadores e pescadores, frisando que o comércio de pescado também está a sofrer as consequências da globalização dos mercados.

“Chegam hoje aos Açores produtos congelados vindos de África, Ásia e América do Sul a preços extraordinariamente baixos, que são vendidos a preços inferiores à média da primeira venda em lota”, afirmou.

A quebra nas vendas regista-se, segundo Liberato Fernandes, não só nas espécies mais caras, mas também nas mais baratas, como é o caso do chicharro e da cavala.

“Em meados da década de 80, pescava-se e vendia-se quase quatro mil toneladas de chicharro, mas hoje em toda a região vendem-se cerca de mil toneladas”, frisou, salientando que esta redução de cerca de 75 por cento se reflecte “de forma aguda” nos rendimentos dos pescadores.


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