Relatório da IGF serve para Governo elogiar finanças públicas e oposição denunciar problemas

Relatório da IGF serve para Governo elogiar finanças públicas e oposição denunciar problemas

 

Lusa/AO online   Regional   5 de Set de 2012, 14:32

O relatório da Inspeção Geral de Finanças (IGF) sobre a situação financeira dos Açores dividiu hoje o parlamento regional, servindo o mesmo documento para o Governo elogiar a situação das contas públicas e a oposição denunciar problemas graves

"O governo está só nas suas fantasiosas afirmações", afirmou António Marinho, vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata, na abertura do debate de urgência sobre aquele relatório.

António Marinho frisou que o documento "revela de forma nua e crua" que a situação das finanças públicas regionais "não oferece boas garantias", denunciando "a irresponsabilidade de quem tem usado e abusado dos dinheiros públicos".

“O Governo está isolado na manipulação dos números”, afirmou, acrescentando que “a verdade não é o forte deste governo aflito”.

O “descalabro financeiro” do setor da saúde e os “riscos de derrapagem orçamental” referidos no documento da IGF foram também referidos por António Marinho, para quem o Governo Regional socialista “pediu ajuda ao Governo da República porque não tinha dinheiro para pagar o que deve”.

Na resposta, Sérgio Ávila, vice-presidente do executivo regional, frisou que o relatório da IGF indica que “não há desvio ou derrapagem, validando os dados apresentados pelo Governo dos Açores”, acrescentando que “as contas da região, foram mais uma vez, certificadas por uma entidade externa”.

“O PSD só tem uma saída, que é pedir desculpa aos açorianos por ter levantado falsas e infundadas suspeitas”, afirmou, salientando que, para os social-democratas, “vale tudo para atacar o governo”.

No debate que se seguiu, Aníbal Pires, do PCP, e Zuraida Soares, do BE, pediram esclarecimentos ao Governo sobre a situação da Eletricidade dos Açores (EDA), nomeadamente sobre uma possível privatização que estaria a ser preparada.

“Queremos saber se o Governo está a preparar a privatização nas costas dos açorianos e à revelia do parlamento”, afirmou Zuraida Soares, recordando que a EDA “é a empresa mais sólida da região”.

Sérgio Ávila admitiu que o executivo pediu uma avaliação da empresa, mas frisou que esse é um comportamento “feito periodicamente nas empresas públicas regionais”.

“Solicitamos a avaliação do valor real de mercado para ter em conta na definição do património da região”, afirmou.

Berto Messias, do PS, subiu à tribuna para afirmar a “credibilidade inquestionável” do executivo regional na gestão das contas públicas, frisando que “apesar da crise, há menos austeridade nos Açores”.

Por seu lado, Pedro Medina, do CDS-PP, criticou a “falta de rigor e transparência” do governo açoriano na apresentação de alguns números, mas também dirigiu críticas ao PSD pelo excesso de promessas feitas nesta fase de pré-campanha para as eleições regionais de outubro.

“O PSD acusa o governo de usar e abusar dos dinheiros públicos, mas tem uma atuação igual, prometendo mundos e fundos”, afirmou.


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