Relações luso-chinesas são boas, "mas podem ser melhoradas"

Relações luso-chinesas são boas, "mas podem ser melhoradas"

 

Lusa/AO Online   Nacional   20 de Mai de 2015, 10:48

O presidente do Partido Socialista (PS), Carlos César, defendeu que as relações luso-chinesas, consideradas muito boas pelos dois governos, "podem ser melhoradas" e reafirmou a abertura de Portugal ao investimento chinês.

 

"As relações estão muito consolidadas, mas podem ser melhoradas", disse Carlos César à agência Lusa no final de uma visita de uma semana aquele país, a convite do Partido Comunista Chinês (PCC).

"O compromisso que aqui deixei, em nome do Partido Socialista e de um governo liderado pelo PS, é que podemos fazer da relação Portugal-China o melhor exemplo de boas relações entre um país da União Europeia e a China", acrescentou.

Carlos César chegou na quinta-feira passada a Pequim, acompanhado por onze quadros dirigentes do PS, entre os quais o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Sérgio Ávila, e o presidente da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e secretario das relações internacionais do partido, Sérgio Sousa Pinto.

Foi a segunda visita do género em cerca de dois anos e meio, depois da viagem da antecessora de Carlos César, Maria de Belém Roseira, em janeiro de 2013, e incluiu um encontro com o vice-presidente chinês, Li Yuanchao.

"Os nossos interlocutores, incluindo o vice-presidente da Republica, demonstraram ser muito conhecedores das riquezas da zona marítima e do papel dos nossos portos, no continente e nos Açores", referiu o presidente do PS.

Questionado sobre um eventual interesse chinês pela base das Lajes, Carlos César disse que "o assunto não foi abordado", mas indicou que a sua delegação falou das "oportunidades que serão criadas com a facilitação das ligações entre o Atlântico e o Pacifico e o aumento das rotas atlânticas no transporte marítimo".

"Os portos portugueses, que de momento não estão preparados para isso, carecem de investimento, nacional e estrangeiro, e, nesse contexto, o investimento chinês é desejado por Portugal", afirmou.

Carlos César apontou o turismo e a economia do mar como "setores emergentes" suscetíveis de atrair também investimentos chineses, como já aconteceu nas áreas da energia, seguros, saúde e banca.

"Constatamos o interesse chinês e muito proximamente entraremos numa fase concreta de realização de investimentos nesses setores", disse.

Quanto a Macau, o líder socialista indicou que as autoridades chinesas concordam que aquele território tem "um papel central" nas relações luso-chinesas e deve "funcionar como uma plataforma logística de investimento e comércio" entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Carlos César regressa a Lisboa na quinta-feira.

Além de Pequim, o presidente do PS visitou a província de Shandong, onde nasceu Confúcio, um dos mais conhecidos mestres chineses da Antiguidade, e parte da comitiva de Carlos Cesar irá ainda a Xangai.

A viagem coincide com um bom momento das relações económicas bilaterais e com o 10.º aniversário do acordo luso-chinês de "parceira estratégica global", assinado em 2005 pelos primeiros-ministros de Portugal e da China.

Pelas contas da Administração-geral das Alfândegas chinesas, em 2014, as exportações portuguesas para a China cresceram 18,8% em relação ao ano anterior, ultrapassando pela primeira vez 1.600 milhões de dólares.

Nos últimos três anos, a China tornou-se também um dos maiores investidores em Portugal, estimando-se em cerca de 10.000 milhões de euros o montante de capital introduzido na economia do país desde que a China Three Gorges pagou ao Estado português 2.700 milhões de euros por uma participação de 21,3% na EDP, em 2012.

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