Eleições Brasil

Relações com Portugal não deve mudar com novo Presidente

Relações com Portugal não deve mudar com novo Presidente

 

Lusa/AO Online   Nacional   3 de Out de 2014, 08:29

A política externa e as relações bilaterais com Portugal não deverão sofrer grandes mudanças com a eleição do novo chefe de Estado brasileiro, que acontece neste mês de outubro, disse um especialista à Agência Lusa.

 

“Em relação à permanência de Dilma Rousseff, que é a hipótese mais provável, visto as últimas pesquisas de intenção de voto para as presidenciais brasileiras, julgo que haverá uma certa continuidade (na sua política externa)”, inclusivamente com Portugal, afirmou à Lusa Filipe Vasconcelos Romão, professor da Universidade Autónoma de Lisboa (AUL).

O Brasil realiza dia 05 de outubro a primeira volta das eleições presidências no domingo, tendo a Presidente Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores/PT), Marina Silva (Partido Socialista Brasileiro/PSB) e Aécio Neves (Partido da Social Democracia Brasileira /PSDB) como principais candidatos ao cargo.

A segunda volta – no caso de nenhum candidato conseguir mais de 50% dos votos válidos - será realizada a 26 de outubro.

Se eventualmente ocorrer outro cenário de vitória nas eleições deste mês, Filipe Vasconcelos Romão recordou que as presidências do PSDB (com Fernando Henrique Cardoso) sempre mantiveram boas relações com os governos portugueses.

A incerteza maior, de acordo com o especialista em Relações Internacionais, seria uma vitória de Marina Silva, que não tem um programa claro de política externa.

“Nos últimos anos, os governos do PT, sobretudo com a presidência de Dilma Rousseff, estiveram muito vocacionados para a questão da política regional, para a América Latina, em função do alinhamento ideológico que há com o governo da Argentina, com o Uruguai e alguma proximidade ideológica (mas não da prática política) com a Venezuela”, disse.

“Houve um certo desconectar, algum distanciamento em relação às suas prioridades sobre a Europa”, disse, acrescentando que é necessário ter ainda em conta as assimetrias existentes entre Brasil e Portugal.

“Estamos a falar de um país de 10 milhões de habitantes, nos últimos anos com uma crise económica profunda - com uma diminuição do Produto Interno Bruto (PIB) –, comparativamente a um país com mais de 200 milhões de habitantes, que se assume como potência regional e com considerável do PIB, sobretudo até 2012”, afirmou.

“Portugal, neste momento, é um país da Europa Ocidental numa crise bastante profunda” e “o Brasil está a atravessar alguns problemas”, pelo que “estão a caminhar em direções opostas no sentido do seu peso político”, acrescentou.

Para Romão, “a política externa nos últimos quatro anos em Portugal foi inexistente. Existiu uma preocupação profunda com a questão do controlo das contas públicas e a relação com a União Europeia, devido aos empréstimos” contraídos.

Em Portugal, “houve um certo desligar em relação à política externa e aos relacionamentos com outros países. Foi, de certa forma, matizado com a diplomacia económica, em que o próprio governo se empenhou em estreitar relações entre empresas. Mas isso tem de ser matizado devido à enorme diferença entre os dois países”, argumentou.

O investigador referiu que há uma grande proximidade histórica e cultural, visitas oficiais e de trabalho entre os governantes, grande interação diplomática, tentativas para aprofundar as relações económicas, colaboração científica, intercâmbio de alunos e professores, migração de quadros portugueses, mas que os dois países poderiam fazer ainda muito mais.



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