Reino Unido renuncia à presidência rotativa do Consellho Europeu

 Reino Unido renuncia à presidência rotativa do Consellho Europeu

 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Jul de 2016, 12:24

O Reino Unido decidiu renunciar à presidência rotativa do Conselho Europeu no próximo ano, na sequência da vitória da saída britânica da União Europeia no referendo de junho, indicou o gabinete a nova primeira-ministra, Theresa May.

May comunicou ao presidente do Conselho, Donald Tusk, a sua decisão através de um telefonema, o primeiro entre os dois responsáveis desde que Theresa May sucedeu a David Cameron na liderança do Governo britânico, indicou a mesma fonte.

“A primeira-ministra sugeriu que o Reino Unido deveria renunciar à presidência rotativa do Conselho, agendada para o segundo semestre de 2017, sublinhando que estaremos a dar prioridade às negociações para sair da União Europeia”, indicou uma porta-voz do número 10 da Downing Street citada pela agência France Press.

“Donald Tusk agradeceu a pronta decisão da primeira-ministra sobre este assunto, que permite ao Conselho colocar em marcha uma alternativa”, acrescentou a fonte.

A presidência do Conselho Europeu, que reúne os ministros dos 28 Estados-membros é assumida rotativamente por cada um dos Estados em cada seis meses.

Os embaixadores dos países membros da UE deverão reunir-se esta tarde para decidir que país substituirá o Reino Unido.

A Eslovénia assume atualmente a presidência do Conselho, até 31 de dezembro, e depois segue-se Malta. O Reino Unido deveria assumi-la entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2017.

Theresa May disse a Donald Tusk que quer abordar as complicadas negociações para a saída do Reino Unido da UE “com um espírito construtivo e pragmático”, mas vai precisar de tempo para se preparar, indicou a porta-voz.

“Donald Tusk garantiu à primeira-ministra que ajudará a fazer com este processo decorra na forma mais suave possível”, acrescentou a mesma fonte.

“Ambos concordaram que desejam criar uma forte relação de trabalho e que devem encontrar-se o mais depressa possível em Bruxelas ou em Londres”, disse a porta-voz de Theresa May.

May assumiu a condução do Governo faz hoje uma semana, depois da demissão de David Cameron, motivada pela vitória do “Brexit” – a decisão de saída do Reino Unido da União Europeia – no referendo de 23 de junho.

A nova primeira-ministra britânica não indicou ainda quando é que o Reino Unido irá invocar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, que estabelece um período de negociação de até dois anos sobre os termos da retirada de um Estado-membro.

Ao assumir o cargo, Theresa May deixou claro que o Reino Unido respeitará a vontade democrática do povo britânico de sair da UE.

Com esse propósito, a primeira-ministra nomeou o deputado conservador David Davis ministro com a responsabilidade específica de liderar as futuras negociações com a UE sobre a rutura com Bruxelas.

Davis disse já que o Reino Unido poderá invocar o artigo 50.º do Tratado da União Europeia em finais deste ano, ou no início de 2017.

May não tem a intenção de invocar o artigo antes de primeiro consultar as administrações autonómicas da Escócia, Gales e Irlanda, assim como vários setores da economia britânica, de acordo com fontes de Downing Street referidas pela agência Efe.

A primeira-ministra britânica estará hoje na Alemanha para se encontrar com a sua homóloga, Angela Merkel, na que é a sua primeira viagem ao estrangeiro desde que a rainha Isabel II a convidou a formar Governo.

Na quinta-feira, May estará em Paris, para se reunir com o Presidente francês, François Hollande.


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