Região pode crescer até 0,35% com acordo comercial Europa/EUA

Região pode crescer até 0,35% com acordo comercial Europa/EUA

 

Lusa/AO online   Regional   1 de Ago de 2014, 17:07

O PIB dos Açores e as exportações açorianas para os EUA poderão crescer até 0,35% e 76%, respetivamente, na sequência do acordo comercial que Bruxelas e Washington estão a negociar, segundo um estudo apresentado em Ponta Delgada.

O estudo macroeconómico de impacto para Portugal da Pareceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla inglesa), apresentado em Lisboa na quinta-feira, contém um capítulo específico sobre os Açores, a pedido da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), um dos patrocinadores desta iniciativa.

As conclusões sobre os Açores foram apresentadas hoje em Ponta Delgada e apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago entre 0,19% e 0,35%, conforme os dois cenários considerados no estudo em relação ao desfecho das negociações em curso entre a União Europeia e os EUA (maior ou menor grau de abolição das taxas aduaneiras e outras barreiras comerciais).

Os números estimados para os Açores são "mais modestos" do que para o país no seu conjunto (entre 0,56% e 0,76% para o PIB) e estão "mais em linha" com o que se prevê para a média europeia, afirmou o administrador da FLAD Jorge Gabriel, para quem, no entanto, "o mais notável", no caso açoriano, é o crescimento calculado para as exportações das ilhas para os EUA, que em alguns setores poderão situar-se entre os 31% e os 76%.

Os setores da economia açoriana que potencialmente mais aumentarão as vendas para os EUA são o agroalimentar e a chamada produção primária.

No entanto, o estudo prevê, em paralelo, uma redução, ainda que "residual", na criação de emprego nestes setores que, todavia, será compensada pelo aumento previsto a nível dos serviços, realçou Jorge Gabriel.

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, considerou que todos os resultados estimados para os Açores são "também muito positivos", incluindo os referentes ao emprego.

Bruno Maçães destacou que "havia algum receio" em relação aos Açores por a economia regional estar especializada em setores "onde os agentes americanos são muito competitivos", como o setor primário e os alimentos processados.

As conclusões do estudo são, para Bruno Maçães, "boas notícias", por a perda prevista na criação de postos de trabalho "ser absolutamente marginal".

Para o secretário de Estado, se a "relação muito íntima" que existe entre os Açores e a economia dos EUA for "devidamente explorada", os resultados "podem ser ainda melhores", defendendo que há "um conjunto de reformas que têm de ser discutidas", relacionadas com "questões logísticas", nos portos, por exemplo.

Sublinhando que há estimativas que apontam para um aumento das trocas comerciais em 30% entre os EUA e a Europa, Bruno Maçães defendeu que "isso tem de ser aproveitado por alguém na Europa" e Portugal, no seu conjunto, e os Açores, em particular, têm "condições ótimas" para o fazer por causa das suas infraestruturas e localização.

Já o subsecretário regional da Presidência para as Relações Externas, Rodrigo Oliveira, sublinhou "a complexidade e incertezas deste processo negocial".

Em relação a este estudo, defendeu que "haveria claras vantagens numa abordagem mais aprofundada e específica” da economia da região, que levasse em consideração "dimensões fundamentais" como a insularidade, a localização, a "mais-valia" das infraestruturas portuárias e aeroportuárias das ilhas, a diáspora açoriana na América do Norte e o relacionamento histórico e institucional entre os Açores e os EUA.

No entanto, reiterou que, para o Governo dos Açores, é "inquestionável" o papel que a parceria UE/EUA poderá ter no incremento das trocas comerciais e no reforço das relações entre as ilhas e os EUA.

O secretário de Estado Bruno Maçães concordou em que este é um estudo baseado num "modelo geral", "muito abstrato", "puramente quantitativo" e "computorizado", cujas conclusões devem servir "de ponto de partida", mas têm de ser "completadas" com "outras análises".


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