Refeições nas cantinas sociais dos Açores diminuíram 60%

Refeições nas cantinas sociais dos Açores diminuíram 60%

 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Mar de 2017, 17:27

A secretária da Solidariedade Social dos Açores revelou hoje que o número de refeições nas cantinas sociais da região diminuiu 60% o ano passado quando comparado com 2014, depois de críticas do PSD sobre a pobreza no arquipélago.

 

“Em 2014 foram fornecidas cerca de 200 mil refeições nas cantinas sociais, em 2016 75 mil refeições, portanto uma redução de cerca de 60%, mas essa redução não foi administrativa”, afirmou Andreia Cardoso, no debate parlamentar sobre as propostas de Plano e Orçamento regionais para este ano, na Horta, ilha do Faial.

Andreia Cardoso adiantou que “no regime de almoço durante férias e interrupções letivas, em 2015 foram cerca de 48 mil os almoços fornecidos e em 2016 foram 46 mil”, notando “não ter havido nenhuma alteração das regras” e que a diminuição reflete o “desagravamento das condições sociais”.

A resposta surgiu depois de críticas do PSD, maior partido da oposição, sobre a pobreza na região e após o PS ter pedido um ponto de situação sobre o fornecimento de refeições nas cantinas sociais.

“Finalmente, o Governo Regional [do PS] reconhece que nos Açores multiplicam-se os pobres e que é necessário olhar este problema de forma profunda, rigorosa e até mesmo corajosa”, declarou a social-democrata Mónica Seidi, considerando, contudo, que quando se olha para as verbas inscritas se percebe que “tudo não passa de falsas boas intenções por parte da tutela”.

Para a parlamentar, “o reforço financeiro atribuído a este setor, distribuído nos cinco principais objetivos, a que incluiu a pobreza é a que contempla menos reforço de dinheiro comparativamente ao ano transato”.

“Estamos a falar de apenas mais 50 mil euros que servirão para a definição de uma estratégia regional de combate à pobreza e exclusão social, ou seja, esta preocupação não passará de mais uma intenção deste Governo [Regional]”, declarou.

Mónica Seidi apontou, ainda, os dados do Rendimento Social de Inserção, destacando que os Açores são a “terceira região mais pobre do país, atrás de Lisboa e do Porto”.

“Que o Governo que nos traz até este estado de coisas se chame socialista é apenas uma pequena ironia”, acrescentou a parlamentar social-democrata.

Já a deputada socialista Renata Botelho acusou o PSD de ter sido “tomado de uma amnésia”.

“O PSD que, recentemente, cortou em todas as frentes, pensões, salários, prestações sociais, enquanto fazia deslizar 10 mil milhões de euros em ‘offshores’ (…), lançou os portugueses na mais lamentável dificuldade”, frisou.

A secretária regional da Solidariedade Social justificou a verba para estratégia de combate à pobreza, referindo que “é um trabalho que está em curso”, tendo sido já auscultadas diversas entidades.

“Concluído este processo, estamos agora numa parte interna e que poderá ser necessário ouvir especialistas nestas matérias e é por isso que temos uma pequena dotação reservada caso haja necessidade de efetuar algum estudo”, justificou a governante.

Antes, numa resposta ao deputado do Bloco Paulo Mendes, que entre outras coisas questionou Andreia Cardoso sobre se o Governo Regional está “disponível para aceitar um aumento ao complemento regional de pensão ao primeiro escalão” ou assumir um complemento ao Rendimento Social de Inserção, a secretária declarou ser “a favor de todas as propostas sérias e consistentes”, mas “frontalmente contra propostas irresponsáveis que optam pelo caminho mais fácil”.

Zuraida Soares retorquiu que “para dançar o tango são precisos dois, para haver diálogo também, quando o outro lado é silêncio, o diálogo não existe”.

A Secretaria Regional da Solidariedade Social conta na proposta de Orçamento “com um reforço de 11% face ao ano anterior”, pelo que “disporá de uma verba de cerca de 41,5 milhões de euros para a implementação e prossecução das suas medidas de cariz social”, informou Andreia Cardoso.

 


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