Trabalho

Reduzir salários privados aumenta endividamento das famílias


 

Lusa/AO online   Economia   17 de Nov de 2011, 14:10

O economista João Ferreira do Amaral rejeitou uma redução dos salários do sector privado e considerou que tal poderia ter um forte impacto nos bancos devido ao elevado endividamento das famílias.
Segundo o economista, que falava à margem do Congresso 'O Imperativo do Crescimento', organizado pela CIP - Confederação Empresarial Portuguesa, em Lisboa, esta proposta revisita a do economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Olivier Blanchard, para quem a redução de salários em Portugal iria aumentar a competitividade.

No entanto, Ferreira do Amaral considerou que esta "não é uma boa proposta" e apontou duas razões.

A primeira, disse, decorre de essa redução ter pouco impacto na competitividade, já que "afectaria não só o sector produtivo da economia", mas seria generalizada a todos.

Em segundo, afirmou, os cortes salariais no sector privado poderiam pôr em causa a solidez do sistema financeiro nacional por causa do "grande endividamento das famílias". Assim, "cortar os rendimentos punha em causa não só a situação social como o sector financeiro", já que muitas famílias poderiam ficar sem conseguir pagar os seus empréstimos aos bancos, afirmou.

A 'troika' defendeu na quarta-feira que o sector privado deve seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções salariais.

"A fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas", diz o comunicado da missão conjunta da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

A mensagem surgiu no dia em que a 'troika' apresentou as suas conclusões sobre a segunda avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira, à qual deram nota positiva.

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