Redução das importações em Portugal já custou perto de mil milhões de euros à Alemanha

Redução das importações em Portugal já custou perto de mil milhões de euros à Alemanha

 

LUSA/AOnline   Economia   15 de Dez de 2012, 10:42

A diminuição nas importações de Portugal desde 2010 já custou perto de mil milhões de euros à Alemanha, o parceiro comercial mais afetado pela crise da economia portuguesa, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em 2011, as importações portuguesas reduziram-se 5,53%; este ano, deverão cair mais 6,6%. Mas nem todos os fornecedores portugueses foram afetados da mesma forma; alguns países – sobretudo Angola - têm até reforçado as suas exportações para Portugal.

Recorrendo aos últimos números disponíveis, conclui-se que o país mais afetado em termos absolutos pela redução de importações foi a Alemanha. Entre janeiro e outubro de 2010 e o mesmo período de 2012, as importações de produtos alemães reduziram-se em 871,5 milhões de euros.

Este valor é nominal (ou seja, não está corrigido de inflação), e só diz respeito aos primeiros dez meses do ano. Se a tendência se mantiver em novembro e dezembro, o total de vendas perdidas pela Alemanha em dois anos devido à crise portuguesa estará próximo dos mil milhões de euros.

Esta evolução é explicável por dois fatores. Primeiro, a Alemanha é o segundo maior fornecedor de Portugal (a seguir à Espanha), e é portanto natural que, em absoluto, seja dos países mais afetados.

Além disso, a crise em Portugal teve um enorme impacto sobre o setor automóvel (as vendas de veículos novos têm caído a taxas próximas dos 50%), uma das mais importantes indústrias de exportação alemãs.

Esta redução poderá ter um impacto substancial para empresas com particular envolvimento no mercado português, mas é quase irrelevante no contexto da economia alemã. Só no mês de outubro, a Alemanha exportou mercadorias no valor de 98,5 mil milhões de euros.

Também em termos absolutos, os outros países mais afetados pela crise portuguesa foram a França (terceiro maior fornecedor de Portugal), cujas vendas se reduziram 421 milhões de euros entre os primeiros dez meses de 2010 e o mesmo período de 2012. Segue-se o Reino Unido, cujas vendas diminuíram 400 milhões de euros.

Em termos percentuais, entre os vinte principais fornecedores de Portugal, foi a Nigéria que teve a maior quebra nas exportações entre 2010 e 2012: 27,5%. No entanto, este fenómeno estará associado menos à crise e mais à reorientação da origem dos produtos energéticos consumidos em Portugal.

Enquanto as importações vindas da Nigéria caíram, as originárias de Angola triplicaram, e as da Guiné Equatorial aumentaram 160%. Praticamente o único produto que Portugal importa destes três países africanos é o petróleo.

Excluindo então a categoria de produtos energéticos, os países com maiores reduções percentuais na lista das importações portuguesas são o Reino Unido (-22,1%), a Alemanha (13,7%), a China (12,4%), a França (12%) e a Itália (-9,5%).

No caso do maior fornecedor português, a Espanha, houve uma quebra mas relativamente pouco significativa. Entre 2010 e 2012, Portugal importou menos 284 milhões de euros em bens espanhóis, uma quebra de 1,9%.

Estes números do INE são nominais (isto é, não estão corrigidos da inflação nem de efeitos cambiais). Estes valores também dizem respeito apenas às exportações de bens, e não incluem serviços.


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