Rede registou mais de 500 arrojamentos nas costas das ilhas dos Açores

Rede registou mais de 500 arrojamentos nas costas das ilhas dos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Jul de 2017, 13:12

A Rede de Arrojamentos de Cetáceos dos Açores (RACA) identificou, desde 1990, um total de 511 animais que deram à costa nas ilhas açorianas, dos quais 116 tartarugas, quase 400 cetáceos e "algumas" focas, foi hoje anunciado.

 

"Estes animais, quando arrojam, estão em larga maioria mortos, mas no caso das tartarugas vêm por vezes vivas e são recuperadas em colaboração com uma empresa portuguesa baseada no Faial", explicou o diretor de Serviços de Biodiversidade e da Política do Mar da direção regional dos Assuntos do Mar em declarações à agência Lusa.

Segundo Gilberto Carreira, "na maioria dos arrojamentos não é possível saber exatamente a razão da morte dos animais", devido ao seu "avançado estado de decomposição".

Ainda assim, o responsável frisou que estes arrojamentos se podem ficar a dever a causas naturais do animal ou devido a uma colisão com uma embarcação.

“Em ilhas maiores como São Miguel, a probabilidade de haver arrojamentos é maior porque tem uma linha de costa maior”, acrescentou, salientando que a rede trabalha em contacto com investigadores da Universidade dos Açores na área dos cetáceos, permitindo assim a realização de necropsias (autópsias).

Nos casos em que é possível recuperar o animal, em particular, as tartarugas, estas são mantidos, por exemplo, em cativeiro, para posteriormente serem devolvidos ao seu habitat natural.

“As focas normalmente são animais juvenis que vêm perdidos devido à falta de alimentos. Em 2012 e 2017 enviámos duas focas para o continente, para o centro de recuperação de animais selvagens, e ambas foram depois libertadas no habitat natural nos mares do norte”, adiantou Gilberto Carreira.

A RACA tem como objetivo "minimizar as ameaças dos arrojamentos para a segurança, inclusivamente para a questão da navegação", e para "a saúde humana", porque se tratam de "cadáveres de animais que rapidamente entram em putrefação".

"No caso de arrojarem animais vivos, o objetivo da rede é também minimizar a dor e o sofrimento, garantindo o bem estar animal", disse Gilberto Carreira.

Outro dos objetivos da rede passa por obter o máximo de informações para fins científicos e educacionais através da análise de animais arrojados vivos ou mortos.

O responsável avançou que um dos projetos passa por reestruturar o funcionamento desta rede que é coordenada a nível regional pela direção regional dos Assuntos do Mar e a nível local pelos serviços de ambiente de cada ilha.

"Trabalhamos sempre em coloração com a GNR, a Polícia Marítima, câmaras municipais. E existe também uma comissão científica composta por investigadores da Universidade dos Açores em apoio à rede sempre que é registado um arrojamento", referiu.

Marco Santos, técnico superior da direção regional dos Assuntos do Mar, destacou que os cidadãos "estão cada vez mais atentos ao fenómeno" e alertam os serviços da rede com "maior frequência".

Além dos vários projetos que tem em curso, a RACA está também a colaborar com a Universidade dos Açores numa investigação sobre o lixo marinho que analisa nos conteúdos estomacais dos animais para perceber até que ponto o plástico pode ser uma das causas da morte destes animais.

Marco Santos referiu ainda que a rede tem uma linha a funcionar 24 horas, com o número 912233518, para receber alertas de arrojamentos de animais nas costas do arquipélago.

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