Rede de cuidados paliativos é insuficiente a nivel nacional


 

Lusa/AO On line   Nacional   9 de Out de 2010, 07:53

A resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) aos doentes paliativos é ainda insuficiente, admitiu a coordenadora, que revelou que é na região de Lisboa que a lista e o tempo de espera são mais longos.

No dia em que se assinala o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, a realidade nacional mostra que ainda não há uma resposta, através do Serviço Nacional de Saúde (SNS), para todas as pessoas que precisam de cuidados, tratamento ou apoio na fase final da vida, por se encontrarem numa situação de “intenso sofrimento”, como é explicado no Portal da Saúde.

“Embora tenha aumentado o número de respostas no que se refere a tipologia de cuidados paliativos, consideram-se ainda insuficientes para atender todos os doentes que dele necessitam”, disse à agência Lusa a coordenadora da RNCCI.

Segundo Inês Guerreiro, a RNCCI está “a um terço da sua implementação”, sendo expetável que “em 2013 se encontre a funcionar em pleno”.

Segundo dados facultados pela responsável, existem 132 camas de internamento em unidades de cuidados paliativos: 61 na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), 35 no Norte, 25 no Centro, 12 no Alentejo e 10 no Algarve.

Já em relação aos doentes em lista de espera, os dados da coordenadora da RNCCI mostram que a 08 de outubro eram 164, sendo que, destes, 147 estão em LVT, 11 no Centro, três no Norte, dois no Algarve e um no Alentejo.

“A região de Lisboa e Vale do Tejo, em que existe menor número de camas em relação à população, é naturalmente aquela em que o número de doentes em espera e também o tempo médio de espera para colocação são maiores”, apontou Inês Guerreiro.

Os dados mostram que, em matéria de unidade de cuidados paliativos, o tempo médio de espera, na região de Lisboa, é de 59 dias, seguida da região Centro, onde o tempo de espera ronda 21 dias.

Bastante menos tempo esperam os doentes do Alentejo, Algarve e do Norte, onde os tempos médios rondam cinco dias nas primeiras duas regiões e seis dias na última.

Quanto a equipas intra hospitalares de suporte em cuidados paliativos (EIHSCP), Inês Guerreiro disse serem atualmente quinze: quatro no Norte, uma no Centro, três na região de Lisboa e Vale do Tejo, cinco no Alentejo e duas no Algarve.

Nas equipas domiciliárias, os dados mostram um total de 141, distribuídas pelo Centro, com 43, Lisboa e Vale do Tejo, com 37, Algarve, com 28, Norte, com 22, e Alentejo, com 11.

Contactada pela Lusa, a presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) entende que o SNS apresenta várias deficiências em matéria de acesso dos doentes aos cuidados de que necessitam, mas acredita que, mais do que a questão financeira, é a desigualdade geográfica que cria o maior fosso.

“O problema não é dinheiro, é muitas vezes o da desigualdade geográfica. É gravíssimo. Em alguns distritos, como Braga, Viseu, Guarda ou Aveiro, as pessoas não têm acesso, porque não há. É uma verdadeira indignidade e este é o maior critério de desigualdade”, disse Isabel Galriça Neto.

Na opinião da especialista, “a primeira injustiça” está no facto destes doentes “serem metidos numa rede burocrática que não tem em conta as suas necessidades e as suas especificidades clínicas”.


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