Rede Atlântica de Festivais de Narração Oral criada nos Açores


 

Lusa/AO Online   Regional   2 de Jun de 2016, 08:41

Festivais de contos dos Açores, da Madeira, de Lisboa, Santiago de Compostela e Bretanha vão criar a "Rede Atlântica de Festivais de Narração Oral", num protocolo que será assinado na Praia da Vitória, na ilha Terceira.

 

“Chegámos à conclusão que os festivais de cariz atlântico ou de temática atlântica tinham o suficiente de parecenças para se reunirem em rede”, salientou, em declarações à Lusa, Valter Peres, da organização do Festival Internacional de Contistas da Praia da Vitória, “Conto Contigo na Praia”, que arranca hoje.

O contador da ilha Terceira participou este ano num festival na Galiza, tendo estado já no ano passado em Lisboa, e foi nas conversas com outros contadores que surgiu a ideia de criar uma rede atlântica de festivais.

A sinergia entre os diferentes festivais permitirá, segundo Valter Peres, facilitar a angariação de fundos, partilhar custos com as deslocações de contadores e a troca de contadores das regiões que integram a rede.

“Uma das ideias que está a ser lançada é que os contadores da Terceira possam ter a possibilidade de contar nos festivais da rede e assim os da Madeira e assim os da Galiza e assim os de Lisboa”, explicou.

O protocolo será assinado, esta quinta-feira, entre os festivais “Conto Contigo na Praia”, dos Açores, “Terra Incógnita”, de Lisboa, “Atlántica”, de Santiago de Compostela, “Era uma vez no Atlântico”, da Madeira, e “Centro do Imaginário Arturiano”, da Bretanha.

A cidade da Praia da Vitória acolhe, este ano, a segunda edição do festival “Conto Contigo na Praia”, mas, segundo Valter Peres, já há cerca de 14 anos que este estilo tem vindo a ser promovido na ilha Terceira, em outras plataformas, e o público tem aderido.

“O público gosta, mas também há muitos contadores aqui e isso também ajuda. De todos os que participam no festival, 60% são narradores da terra. Isso é uma riqueza que não podemos esbanjar”, frisou.

O festival inclui três sessões de contos nas casas de espetáculos do concelho, mas também idas a escolas, centros de dia e cafés.

Participam 11 contadores, Soledad Fellosa, natural do Uruguai, Victor Fernandes, de Trás-os-Montes, Sofia Maul, da Madeira, Ana Sofia Paiva, de Lisboa, e os locais Valter Peres, Paulo Freitas, Flávia Medeiros, Ricardo Martins, Nisa Cabral, Ricardo Ávila e Ana Janeiro.

Cada contador tem o seu estilo, mas Valter Peres, que já conta histórias há cerca de 18 anos, prefere transmitir a tradição oral.

“Tenho muitas histórias que me contaram senhoras dos centros de dia onde fui, tenho adivinhas que me contaram crianças das escolas e todas aquelas que ouvi pelos festivais por onde andei. Quando ouvimos uma história, ela fica connosco e, se a contarmos uma vez, nunca mais ela sai da nossa cabeça”, salientou.

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