Recuperar confiança dos credores é processo exigente e demorado para Moçambique

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O departamento de estudos económicos e financeiros do BPI considera que "a recuperação da confiança dos credores será um processo demorado e exigente" para Moçambique e que a transparência sobre os dados financeiros é essencial.
 

 

Em entrevista à Lusa, a analista que segue a economia moçambicana considerou que "a recuperação da confiança dos credores será um processo demorado e exigente a que o país terá de se submeter", sendo muito importante a disponibilização de informação de forma transparente.

Moçambique "terá de finalizar a auditoria às empresas detidas pelo Estado e transmitir de forma transparente as principais conclusões", diz Vânia Duarte, salientando que "já se denota uma maior preocupação do Governo com esta questão de tornar a informação mais transparentes, como já foi possível ver com a publicação do documento de suporte apresentado aos credores para a negociação da reestruturação da dívida".

Moçambique assumiu em outubro a incapacidade financeira para pagar as prestações dos empréstimos contraídos por duas empresas públicas (Proindicus e Mozambique Asset Management), no valor conjunto de XXXX, e o cupão de janeiro dos títulos de dívida pública que resultam da conversão dos títulos de dívida corporativa da Empresa Moçambicana de Atum, no valor de 727 milhões de dólares.

Numa apresentação aos credores feita em Londres, no final de outubro, o ministro das Finanças pediu que os credores se juntassem num único grupo para discutir a reestruturação dos pagamentos, mas esta iniciativa enfrentou reações negativas por parte dos detentores dos títulos de dívida.

"Todos os processos do Governo terão de assentar em mais transparência, até para que os países parceiros possam voltar a estar disponíveis para ajudar financeiramente o país, através de donativos; no curto prazo, também seria importante chegar a acordo com os credores sobre a reestruturação da dívida para, posteriormente, poderem negociar junto do FMI sobre um novo programa", acrescenta a analista do grupo de estudos do BPI, coordenado pela economista-chefe, Paula Carvalho.

Para Moçambique, a aceleração do crescimento económico, que o BPI estima ter descido para 4% este ano, o que compara com 6,8% do ano passado, tem de acompanhar a descida da dívida pública, que o próprio Governo estimou ir chegar ao final do ano nos 130% do PIB, muito acima do que é sustentável para uma economia em desenvolvimento.

"É importante que a dívida pública moçambicana comece a desenhar uma tendência de queda e de sustentabilidade para que os credores voltem a financiar o Estado; em todo este processo, daria um impulso fundamental a existência de sinais muito concretos de avanço dos projectos de investimento relacionados com a extracção e liquefacção de gás natural no Norte de Moçambique", o que poderia não só dar mais confiança aos parceiros internacionais, mas também previsibilidade nas receitas para o Estado.