Recolha do Banco Alimentar continua a mobilizar voluntários

Recolha do Banco Alimentar continua a mobilizar voluntários

 

Lusa / AO online   Nacional   2 de Dez de 2012, 16:33

Alheios à polémica suscitada pelas considerações da responsável do Banco Alimentar sobre o que devem ser os padrões de vida dos portugueses, milhares de voluntários desdobram-se nos armazéns e supermercados para levar novamente bens essenciais a quem mais precisa.

 

No armazém do Banco Alimentar Contra a Fome em Alcântara, Lisboa, o ambiente é de azáfama, animada por um projeto de rádio da Universidade Autónoma.

Ao som de Rui Veloso, José Cid, Paco Bandeira ou Boss AC, pessoas de todas as gerações, credos, opções políticas e desportivas, unem esforços debaixo do mesmo teto para que os alimentos continuem a chegar às instituições que apoiam milhares de pessoas em todo o país.

“Isto é um ambiente de festa, é uma grande festa de solidariedade”, conta à agência Lusa a presidente da Federação Portuguesa de Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet, numa pausa entre os inúmeros contactos telefónicos e instruções que a operação exige.

O balanço que faz até ao momento aponta para 1.300 toneladas de alimentos recolhidas no sábado. “Aquilo que verificámos foi que o volume de alimentos foi sensivelmente igual ao do ano passado”, afirma.

Enquanto uns laboram no armazém para organizar todos os bens doados, outros recolhem os alimentos em 1.600 lojas, um pouco por todo o país.

A estimativa de 38.500 voluntários poderá ser ultrapassada, uma vez que acorreram muitas pessoas aos armazéns no sábado, mas só no final da campanha será possível ter a contagem final.

A música, partilhada por sete bancos alimentares através de uma página na Internet, ajuda a animar os voluntários e a marcar o ritmo do trabalho, diz Jonet.

No supermercado mais próximo do armazém de Alcântara, são os escuteiros locais que se encarregam da recolha de alimentos.

Questionados se ouvem críticas às recentes declarações de Isabel Jonet que causaram polémica, os voluntários notam que as pessoas valorizam mais o bem comum.

“Não se ouvem muitas críticas (…) Está a correr bem, as pessoas estão a aderir”, conta à Lusa um dos responsáveis da equipa, Alberto Henriques, embora admitindo que alguns sacos vêm menos cheios este ano, também reflexo da crise.

Ali, as pessoas doaram sobretudo leite. Massas, arroz e enlatados fazem parte do habitual cabaz de donativos: “Cada um dá o que pode, aceitamos tudo de bom grado, sabemos que nesta altura as coisas estão um pouco complicadas”.

Mesmo sem grandes posses, Lurdes Inácio não dispensa a partilha do que tem. Gosta de dar sobretudo comida para bebés - “Aquilo que a gente pode dar, vai sendo poucochinho, porque também temos de organizar para nós”.


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