Raríssimas desenvolve projeto de agricultura terapêutica na ilha do Pico


 

Lusa/AO Online   Regional   25 de Jul de 2017, 08:34

A associação Raríssimas está a desenvolver na ilha do Pico, Açores, um projeto de agricultura terapêutica para portadores de deficiência e pessoas em risco de exclusão social, que pretende também dar ferramentas para a sua empregabilidade, foi hoje anunciado.

“Na ilha existem muitos terrenos abandonados, de pessoas que já não têm capacidade para trabalhar os seus terrenos e à volta de casa quase todas as pessoas têm um quintal onde podem trabalhar. A ideia é depois estas pessoas terem formação para trabalhar o seu próprio terreno ou em terrenos de outras pessoas e o produto que é gerado poder ser vendido”, salientou, em declarações à Lusa, Salomé Gomes, diretora da delegação do Pico da associação Raríssimas.

O projeto, denominado VIRA - Valorização, Inserção, Responsabilidade e Aprendizagem, iniciado há cerca de dois anos, conta atualmente com a participação de cinco pessoas portadoras de deficiência, que trabalham num terreno em São Roque do Pico, através de um protocolo entre o proprietário e a associação.

No próximo ano letivo, a associação, que também trabalha com alunos da escola de São Roque do Pico, conta ter mais sete participantes e espera replicar o projeto-piloto noutras zonas da ilha, onde hoje o Governo Regional prossegue a visita estatutária.

“Um dos nossos sonhos e dos nossos objetivos é que o projeto não fique parado no espaço em que está. A ideia é à volta da ilha conseguirmos encontrar mais colaboradores”, referiu a responsável.

A iniciativa tem várias etapas, mas por enquanto desenvolve apenas uma vertente ocupacional, com um objetivo terapêutico, e os resultados, embora ainda não quantificados, são positivos.

“Temos um senhor que teve um AVC [acidente vascular cerebral] e que já está connosco há dois anos e consegue-se observar que tem ganhos. Há tarefas e competências que já consegue realizar, que no início não conseguia”, adiantou Salomé Gomes.

Numa segunda etapa, o projeto pretende dar formação específica na área da agricultura biológica e, uma vez concluída a formação com aproveitamento, o objetivo é que obtenham empregabilidade.

“O nosso foco são pessoas portadoras de deficiência, mas o objetivo é trabalhar também com pessoas em risco de exclusão social. Existem muitas pessoas (…) que estão, por infelicidade da vida, em risco de exclusão social e não têm a mesma possibilidade de ter um emprego do que outras”, realçou a diretora da associação.

No futuro, a Raríssimas espera vender os produtos colhidos neste projeto e aumentar os seus rendimentos, mas por enquanto a associação procura outras formas de alcançar sustentabilidade.

As secretarias regionais da Agricultura e da Solidariedade Social disponibilizam, através de protocolos, técnicos para consultadoria, mão de obra pontual e maquinaria, mas associação necessita de verbas para assegurar o pagamento dos vencimentos de dois funcionários.

Nesse sentido, a Raríssimas lançou o selo VIRA, entregue às empresas em troca de uma contribuição mensal.

Além da responsabilidade social, o projeto tem um papel de sensibilização ambiental, já que a agricultura é produzida em modo biológico.

“Um dos objetivos é também ir sensibilizando as pessoas que tomam conhecimento do projeto que a agricultura em modo biológico é viável, respeita a natureza e dá outra sustentabilidade a longo prazo aos terrenos”, frisou Salomé Gomes.

Criada em 2005, a delegação da ilha do Pico foi a primeira da associação Raríssimas, com sede em Lisboa.



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