Questão do Kosovo deve transitar para a próxima presidência europeia

Questão do Kosovo deve transitar para a próxima presidência europeia

 

Lusa/AO online   Internacional   10 de Dez de 2007, 14:24

A questão do futuro estatuto do Kosovo, uma das mais sensíveis do panorama político internacional, entra agora numa fase decisiva, mas o momento das grandes decisões deverá acontecer já depois do termo da presidência portuguesa da União Europeia.
Este é um dos dias importantes do longo e complexo processo, já que foi a data há muito estabelecida para a "troika" internacional para o Kosovo (UE, Estados Unidos e Rússia) apresentar ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o relatório sobre a sua intermediação nas negociações entre as autoridades sérvias e kosovares.

    No entanto, fontes diplomáticas consideram improvável que o cenário mais temido, mas que parece cada vez mais inevitável - a proclamação unilateral de independência por parte da província sérvia sem o consentimento de Belgrado - conheça desenvolvimentos decisivos nos próximos dias ou mesmo durante a presidência portuguesa, que termina a 31 de Dezembro.

    O fim do mandato da "troika" ocorre no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros se encontram reunidos em Bruxelas, e a quatro dias da Cimeira informal de chefes de Estado e de Governo dos 27 (sexta-feira), mas apenas a 19 de Dezembro o estatuto do Kosovo deverá ser discutido no Conselho de Segurança das Nações Unidas, pelo que até lá a UE deverá manter uma posição relativamente discreta.

    Nessa reunião do Conselho de Segurança, deverão ser expostas mais uma vez as divergências existentes - a Rússia apoia a Sérvia, que apenas admite conceder uma autonomia alargada à sua província, enquanto os Estados Unidos e alguns países europeus apoiam os kosovares albaneses, que não cedem na sua reivindicação de independência, que ameaçam proclamar unilateralmente.

    Na ausência da adopção de uma resolução, poderá ser marcada nova reunião para Janeiro, e apenas nesse mês as autoridades de Pristina deverão tomar uma decisão, que poderá passar pela calendarização da data de proclamação unilateral da independência.

    Neste cenário, aquele que é considerado um dos "dossiers" mais "explosivos" da actualidade, face à reacção da Sérvia e consequências que pode ter nos Balcãs, transitará assim para a próxima presidência da União Europeia, já que a 31 de Dezembro Portugal vai passar o testemunho à Eslovénia.

    Caberá assim a Ljubljana prosseguir o trabalho da presidência portuguesa de procurar uma posição comum da União Europeia quando uma tomada de decisão já não puder ser mais adiada.

    Hoje, à entrada para a reunião dos 27, o presidente em exercício do Conselho de Ministros da UE, Luís Amado, voltou a pedir a "coesão e flexibilidade" dos Estados-membros que estão divididos sobre o futuro da província sérvia do Kosovo.

    "Hoje vamos ter a oportunidade, pela primeira vez, de enfrentar a realidade como ela é", sublinhou Luís Amado, referindo-se ao facto de o representante da UE na "troika", Wolfgang Ischinger, apresentar aos chefes de diplomacia europeus as conclusões do relatório das negociações.
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