Quercus reivindica medidas para banir defenitivamente o uso de sacos plásticos


 

AO/Lusa   Nacional   2 de Jul de 2017, 17:24

A Quercus reivindicou hoje ao Governo medidas urgentes para banir, "total e definitivamente", o uso de sacos plásticos em Portugal, país onde se consomem anualmente dois mil milhões destes sacos "nefastos" para o ambiente.

 

Na véspera do “Dia Internacional Sem Sacos de Plástico”, que se assinala na segunda-feira, o presidente da Quercus, João Branco, alertou para a necessidade de o Governo implementar medidas urgentes que banam o uso dos sacos plásticos em Portugal.

De acordo com a associação ambientalista, o país consome “anualmente cerca de dois mil milhões de sacos de plástico”.

João Branco reiterou a necessidade de “terminar definitivamente com o uso de um material tão prejudicial para o ambiente” e considerou que “não adianta estar a taxar” a sua utilização.

O responsável referiu que a medida do anterior Governo de taxar os sacos de plástico “foi inicialmente positiva”, mas acrescentou que “rapidamente se revelou insuficiente”.

É que, depois de uma inicial diminuição do consumo de sacos de plástico, os portugueses “acabaram por se habituar a pagar os sacos e o seu consumo está a aumentar novamente”.

Disse, ainda, que a medida de taxar o uso de sacos de plástico “nunca abrangeu” os sacos que são utilizados dentro dos supermercados para embalar a fruta, legumes ou carne, o que faz com que, na prática, cada consumidor acabe por utilizar dezenas de sacos de plástico gratuitos sempre que vai fazer compras.

Além do mais, segundo João Branco, o controlo dos sacos “nunca foi efetivo” nas pequenas superfícies, no pequeno comércio, nas feiras e nos mercados.

“No fundo, a taxa é uma licença para poluir e não é isso que nós queremos. Nós não queremos que quem pague possa poluir, o que nós queremos é que as pessoas não possam poluir com sacos de plástico”, afirmou à agência Lusa.

Na sua opinião, “a situação é grave, tanto mais que há estudos recentes que revelam a existência de resíduos de plástico tanto no peixe como no sal consumido”.

O ambientalista considerou, ainda, que “estão comprovados e amplamente divulgados os efeitos nefastos dos sacos de plástico no ambiente, em especial em meio marinho, com envenenamento, asfixia e morte de peixes, animais e aves marinhas”.

Para o dirigente, “já não há desculpas” para que não se bana o uso deste material e elencou o “bom exemplo” de Marrocos.

Durante a participação na última conferência das Nações Unidas sobre o clima, realizada em 2016, em Marraquexe, a delegação da Quercus visitou um supermercado que, como todos em Marrocos, não utiliza sacos de plásticos.

“Fiquei espantado com a facilidade com que a sociedade marroquina vive sem utilizar sacos de plástico. Isso é visível nas ruas pela ausência de lixo relacionado com os sacos”, afirmou João Branco.

O dirigente salientou que, se Marrocos conseguiu banir os sacos de plástico, “não há qualquer motivo para que estes não sejam também banidos em Portugal”.

“Haja vontade política”, concluiu.



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