Quercus e apicultores exigem "mais empenho" no combate à vespa asiática

Quercus e apicultores exigem "mais empenho" no combate à vespa asiática

 

Lusa / AO online   Nacional   16 de Ago de 2014, 11:45

A vespa velutina ameaça a produção de mel e o combate à praga exige "mais empenho" e "esforço de monitorização" para minimizar os danos na apicultura, defendem a Quercus e a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP).

 

Estas organizações alertam para o problema no momento em que o Governo, através do Ministério da Agricultura e do Mar (MAM), afirma que “acompanha a situação com máxima atenção e empenho”.

Detetada pela primeira vez em Portugal, em 2011, no Minho, este inseto de origem asiática (‘Vespa velutina nigrithorax’) representa “uma ameaça de peso” para as abelhas, devendo o seu alastramento ser travado, pois constituiria “uma tragédia para a atividade apícola e para os ecossistemas”, disse à agência Lusa Ricardo Marques, da Quercus.

Para o ambientalista, cabe ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) “um papel mais ativo na resolução do problema”, enquanto “autoridade responsável pela introdução de espécies não indígenas”.

Também a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) “devia atuar mais para apoiar os apicultores”, preconizou. Neste ponto, a FNAP tem uma opinião idêntica.

Realçando que a presença de espécies invasoras “é da competência do ICNF”, João Casaca, da FNAP, entende que “deve ser esta entidade, sob a tutela do MAM, a coordenar todos os esforços de monitorização e avaliação” do problema.

“Sob pena” de os apicultores “serem obrigados a adotar práticas que, eventualmente, possam acarretar riscos para a natureza, nomeadamente para outras espécies de vespas e outros insetos autóctones”, referiu.

Ricardo Marques, da direção nacional da Quercus, salientou que a vespa velutina “consegue eliminar uma colónia de dezenas de milhares de abelhas” em poucas horas.

“Agora que a praga está contida a um local, deveriam ser alocados mais recursos e mais empenho no seu controlo”, defendeu.

Na sua opinião, importa “fazer cumprir um plano de ação de luta contra a vespa velutina em que há várias entidades” com diferentes responsabilidades.

“Uma vez que os ninhos têm de ser incinerados, parece estar a Proteção Civil mais equipada para responder”, segundo a Quercus.

O Governo recomenda que “quem identificar os ninhos de vespa velutina deverá participar” à DGAV, que, “por sua vez, encaminha a informação para a Autoridade Nacional da Proteção Civil”, procedendo esta à sua destruição.

“Neste momento, a prioridade está focada na destruição dos seus ninhos, sendo este método considerado o melhor para limitar localmente o impacto (…) sobre abelhas e outros insetos”, esclarece o Gabinete de Comunicação e Imprensa do MAM, numa informação escrita à Lusa.

O Ministério “desenvolveu um plano de ação no âmbito da proteção da apicultura nacional” que visa “a identificação da vespa velutina e respetivos ninhos pelos apicultores”, além de “orientar as medidas a adotar” nos casos de suspeita ou confirmação da presença da vespa asiática.

“As abelhas não têm qualquer tipo de defesa contra este predador”, sublinhou, por seu turno, João Casaca, da FNAP.

No Norte, lamentou, os apicultores têm registado “grandes perdas de efetivo, com a consequente quebra de produção de mel, e nalguns casos morte das colmeias. A ameaça à produção de mel é já uma realidade” na região Terras Altas do Minho, onde se produz mel com denominação de origem protegida (DOP).

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