Quercus alerta para perigo das espécies invasoras


 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   20 de Mar de 2017, 17:15

A organização ambientalista Quercus alertou para a presença de árvores invasoras, as acácias australianas, que ameaçam as espécies autóctones do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e pede mais investimento no seu controlo e erradicação.

As acácias australianas, principalmente a acácia-mimosa ou mimosa (Acácia dealbata) e a acácia-de-espigas (Acacia longifolia) ocupam já milhares de hectares em Portugal e são uma séria ameaça em diversas áreas protegidas", como o Parque Nacional da Peneda-Gerês e a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, refere um comunicado dos ambientalistas.

A chamada de atenção, a propósito do Dia Internacional das Florestas, que se assinala na terça-feira, realça que "o único parque nacional português está a perder a guerra contra as árvores invasoras de origem australiana" que deixam nos solos milhões de sementes por hectare e se mantêm viáveis durante décadas, prontas a germinar em qualquer altura, em especial após os incêndios.

A mimosa é uma das invasoras, ou exóticas, mais preocupantes em todo o mundo, especialmente em Portugal, salienta a Quercus, acrescentando que esta espécie ocupa mais de 1.000 hectares no Parque Nacional da Peneda-Gerês, uma área que poderá ser maior, pois não há medições atualizadas.

"Para evitar danos ainda mais sérios na biodiversidade do Parque da Peneda-Gerês, é necessária a erradicação de novos focos de invasão e, acima de tudo, o controlo ou eliminação das populações de invasoras já estabelecidas", insiste a associação de defesa do ambiente.

Assim, pede ao Estado que aumente o investimento financeiro para combater o domínio das espécies exóticas, já que, "atualmente, o investimento no controlo das invasoras lenhosas nas áreas protegidas é quase nulo".

Defende igualmente uma aposta na educação e sensibilização e a criação de instrumentos legais que impeçam a proliferação destas espécies, que produzem muito material combustível, contribuindo para os incêndios florestais.

Por outro lado, o fogo estimula a germinação das sementes desta espécie que, depois de um incêndio, "invade rapidamente as áreas ardidas", segundo os ambientalistas.


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