Queixas sobre aeroporto da Horta chegam aos partidos no parlamento dos Açores

Queixas sobre aeroporto da Horta chegam aos partidos no parlamento dos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Set de 2016, 16:59

Os partidos com assento na Assembleia Legislativa dos Açores vão receber na quarta-feira uma carta reivindicativa em defesa do aeroporto da Horta, na ilha do Faial, numa iniciativa que inclui uma concentração popular junto ao parlamento.

O documento, intitulado "Na defesa do aeroporto da Horta e de mais e melhores acessibilidades aéreas do Faial", aponta constrangimentos "na operação da Azores Airlines no aeroporto da Horta" e sugere propostas para os partidos políticos acolherem após as eleições regionais de 16 de outubro.

A concentração está prevista para as 18:00 locais (mais uma em Lisboa), junto à Assembleia Legislativa Regional, onde decorre o último plenário antes do sufrágio.

Dejalme Vargas, que lidera a iniciativa, rejeita qualquer conotação política com a ação e assume que representa "um conjunto de cidadãos insatisfeitos com o tratamento dado ao único aeroporto da ilha do Faial".

"Queremos algumas melhorias. Essencialmente, questões de segurança que têm de ser implementadas na pista da Horta, que são uma obrigatoriedade da International Civil Aviation Oganization (ICAO), que é um organismo que regula a nível mundial todos os aeroportos, e que não estão implementadas no aeroporto da Horta", afirmou o vigilante da natureza.

Dejalme Vargas disse que o aeroporto da Horta "é o único em Portugal" que recebe voos comerciais e que não tem implementada a regulamentação ICAO, nomeadamente ao nível Runway End Safety Áreas (RESA) que visa reduzir o risco de danos para os aviões em caso de saída da pista.

"A ICAO obriga 240 metros em cada ponta da pista, portanto, digamos que o aeroporto tem de ser ampliado 480 metros para que as aeronaves, essencialmente as que fazem os voos Lisboa-Horta, aterrem em segurança", disse.

No documento a entregar aos partidos, a que a agência Lusa teve acesso, constam ainda as reivindicações da implementação nos aviões da Azores Airlines, da SATA, do sistema RNP Implementation Synchronized in Europe (RISE), que permite a aproximação com mais baixa visibilidade, mais voos da SATA e tripulações mais bem preparadas.

"Só o grupo SATA, este ano, já cancelou para o Faial cerca de 120 voos", declarou.

A companhia aérea açoriana rejeitou, contudo, aquele número de cancelamentos.

"De abril de 2015 a agosto de 2016 nós realizámos 967 voos, apenas 52 foram cancelados durante este período. Isso representa 5%. Desses 52 voos cancelados, 48 foram-no devido às condições meteorológicas e apenas quatro foram cancelados por questões técnicas imputáveis à SATA, nomeadamente, dois em setembro de 2015 e dois em abril de 2016", referiu João Soares, administrador pela área operacional do grupo SATA.

João Soares adiantou que um dos três aviões A320 da SATA já tem implementado o sistema RISE que permite aterrar com menor visibilidade no aeroporto da Horta e que conta utilizar esse novo sistema em 2017.

"Este projeto está em desenvolvimento, prevendo que a sua validação decorra até ao final do mês de outubro e que os voos de aferição sejam realizados durante os meses de novembro e dezembro. Irá seguir-se o processo de certificação e, a partir daí, iniciaremos o processo de formação e certificação das tripulações da SATA. Estimamos iniciar a operação com estes procedimentos entre o primeiro e o segundo trimestre de 2017", explicou.

A agência Lusa tentou ainda uma reação junto da ANA - Aeroportos de Portugal, mas não teve resposta.

 

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