Quase menos um quarto de sem-abrigo atendidos pela AMI em 2016


 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   23 de Jun de 2017, 18:20

A Assistência Médica Internacional (AMI) atendeu pela primeira vez, em 2016, 398 pessoas em situação de sem-abrigo, menos 104 (21%) face ao ano anterior, uma tendência que se verifica desde 2013, segundo um relatório da Fundação AMI.

 

Os dados do Relatório de Atividade e Contas 2016 da AMI mostram que o número de novos casos de sem-abrigo tem vindo a cair nos últimos quatro anos, passando de 546, em 2013, para 398 em 2016 (-37%).

Segundo a AMI, esta diminuição poderá estar relacionada com a reorganização da intervenção nos últimos anos, através da constituição dos Núcleos de Planeamento e Intervenção Junto das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, e que “tem promovido uma maior articulação entre as diversas respostas sociais existentes em cada território”.

Do total das pessoas apoiadas, que se enquadram na tipologia de sem-abrigo definida pela Federação Europeia das Organizações que Trabalham com a População Sem-Abrigo, 28% são mulheres.

Os dados, a que a agência Lusa teve acesso, adiantam que 1.441 pessoas em situação de sem-abrigo frequentaram os equipamentos sociais da AMI, representando 12% da população total atendida.

Distribuem-se principalmente pela Grande Lisboa (54%), onde foi registada uma subida de 2%, e Grande Porto (39%)

Na maioria são homens (75%), predominantemente entre os 40 e os 59 anos (52%), seguido dos 30 aos 39 anos (15%), refere o documento.

A grande maioria (81%) dos que procuraram apoio é de nacionalidade portuguesa (81%), seguindo-se os naturais dos PALOP (12%), de outros países da União Europeia (3%) e do grupo outros países (2%), onde se inclui o Brasil e Índia.

Metade da população apoiada tem o 1.º ou 2.º ciclo de escolaridade, 16% têm frequência do 3.º ciclo, 6% do ensino secundário e 2% têm o ensino médio ou superior.

O relatório observa que 4% não têm qualquer escolaridade e 56% não possuem formação profissional, salientando que a mendicidade é um recurso para 17% dos homens e para 8% das mulheres.

Os dados apontam ainda que 66% estão sozinhos e 12% são casados ou vivem em união de facto.

O grupo das mulheres regista uma maior percentagem de casadas e em união de facto (28%) do que o grupo dos homens (9%), salienta o relatório

Por outro lado, o grupo dos homens regista uma maior percentagem de solteiros, divorciados e viúvos (77%).

De acordo com o documento, 31% dos que recorreram à AMI encontram-se nesta situação há mais de quatro anos e 9% entre um e dois anos (9%).

Houve 217 utentes que apontaram problemas de saúde física e 137 de saúde mental. A AMI observou uma descida de pessoas com problemas relacionados com o consumo de álcool e drogas.

Um terço das pessoas apoiadas apresentava necessidades de uma consulta médica, 26% de apoio a nível de medicação, 10% de apoio psicológico e 7% de acompanhamento psiquiátrico

Desde 1999, ano em que a AMI começou a fazer esta contagem, já foram apoiadas 11.305 pessoas em situação de sem-abrigo.

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