Quase 900 operacionais combatem incêndio que não dá tréguas

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A spanish Canadair drops water over Pedrogao Grande forest fire, central Portugal, 18 June 2017. At least sixty two people have been killed in forest fires in central Portugal, with many being trapped in their cars as flames swept over a road on the eveni

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A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) mantinha pelas 20:30 cerca de 900 operacionais a combater o incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, que provocou 61 mortos e não dá tréguas.
 

Segundo a página na Internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o fogo deflagrou em Escalos Fundeiros às 13:43 de sábado e, pelas 20:45 de hoje, estavam no local 884 operacionais, apoiados por 271 viaturas e seis meios aéreos.

No último balanço, a partir do posto de comando em Pedrógão Grande, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, informou que os feridos são 62, dois deles em estado grave, sendo que o incêndio mantinha quatro frentes ativas.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, fazia outro balanço: 95% da floresta do concelho ardeu e, ao nível de infraestruturas, o concelho está "a zero".

Numa deslocação ao local ao início da tarde, o primeiro-ministro, António Costa, defendeu que a prioridade tem de ser o combate ao incêndio e a identificação das vítimas mortais, admitindo na ocasião que o número ainda pode subir.

“Chegará o momento de apurar o que aconteceu”, afirmou António Costa, à entrada de uma reunião na Câmara Municipal de Pedrógão Grande.

Para o primeiro-ministro, que depois se deslocou a outros concelhos afetados, a prioridade tem de ser dada ao combate aos incêndios que estão ativos e à identificação das vítimas, “não só as encontradas, como as que porventura ainda iremos encontrar”.

Ao início da tarde chegou também uma ajuda dos céus, dois aviões ‘Canadair’ espanhóis, que foram empenhados no combate ao incêndio, e o anúncio da convocação, para terça-feira, pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, de uma conferência de líderes extraordinária para reagendamento dos trabalhos do parlamento.

Entretanto, chefes de Estado e de Governo de vários países estrangeiros enviaram mensagens de solidariedade, enquanto outros anunciaram estar prontos para ajudar.

Entre as ajudas mais significativas conta-se a da Fundação Calouste Gulbenkian, que decidiu constituir um fundo especial de 500 mil euros, para apoio às organizações da sociedade civil da região de Pedrógão Grande, afetada pelos incêndios deste fim de semana.

Mas por todo o país, outras entidades e instituições, civis, militares e religiosas, e centenas de cidadãos anónimos estão a ajudar, disponibilizando bens alimentares para bombeiros e vítimas.

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou, entretanto, que a identificação definitiva das vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande só será possível posteriormente.

Salientando que esta “é uma tarefa que está a ser realizada em condições extremamente difíceis”, o diretor nacional adjunto, Pedro do Carmo, declarou que, “não obstante o trabalho já desenvolvido, a identificação definitiva das vítimas mortais só será possível posteriormente”.

Numa declaração ao país, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que a dor do país “não tem medida, como não tem medida” a solidariedade de todos para com os familiares das vítimas da tragédia de Pedrógão Grande, manifestando “ilimitada gratidão” a todas as autoridades e povo anónimo.

“Nesta hora há também interrogações e sentimentos que não podem deixar de nos angustiar, a começar por um sentimento de acrescida injustiça, porque a tragédia atingiu aqueles portugueses de quem menos se fala, de um país rural, isolado, com populações dispersas, mais idosas, mais difíceis de contactar, de proteger e de salvar” acrescentou o chefe de Estado.