PSOE inicia debate para decidir se facilita tarefa ao PP


 

Lusa/AO online   Internacional   5 de Jul de 2016, 18:04

O PSOE iniciou um intenso debate interno, devendo no sábado revelar a sua posição em relação à proposta de formação de uma grande coligação feita pelo PP, que apesar de privilegiar os socialistas está prepardo para outras possibilidades governativas.

 

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, iniciou em Madrid uma série de reuniões bilaterais com cada um dos dirigentes regionais do partido que vai permitir que no sábado o Comité Federal do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) clarifique a posição dos socialistas.

O PSOE, que ficou em segundo lugar nas eleições de 26 de junho, tem recusado a possibilidade de uma coligação com o PP (Partido Popular, de direita), o mais votado, mas sem maioria absoluta, e tem defendido que se deve assumir como o maior partido da oposição parlamentar.

A secretária-geral dos socialistas do País Basco, Idoia Mendia, e a de Madrid, Sara Hernández, foram as primeiras a ser recebidas, separadamente, por Pedro Sánchez, que até sexta-feira irá encontrar-se com todos os outros secretários-gerais regionais, a tempo de levar uma posição comum à reunião de sábado do Comité Federal, o órgão máximo do partido.

Pedro Sánchez ainda não se pronunciou em público desde a noite eleitoral, quando admitiu estar insatisfeito com os 85 lugares obtidos pelo PSOE, menos cinco do que nas eleições anteriores, em dezembro de 2015, o pior resultado do partido durante o atual regime democrático.

A posição assumida pela maioria dos dirigentes socialistas tem sido a de nem sequer facilitarem a vida ao PP com uma eventual abstenção na investidura do novo governo, que assim teria de procurar obter uma maioria junto de outros partidos.

No entanto, algumas vozes, como a do presidente da região de Estremadura e secretário-geral da região, Guillermo Fernández Vara, têm-se manifestado pela possibilidade de facilitar uma "abstenção mínima", se isso for necessário para deixar passar um governo de Mariano Rajoy (atual presidente de gestão e líder do PP) e evitar uma nova ida às urnas.

Por seu lado, Rajoy, que afirmou que iria falar com todos os partidos, começou por se reunir com os mais pequenos e aguarda a definição de posição do PSOE para se reunir com Pedro Sánchez, o que só deverá acontecer na próxima semana.

O presidente do governo de gestão recebeu hoje o presidente do arquipélago das Canárias e do partido regional Coligação Canária (CC, um deputados) e quarta-feira reúne-se com os dirigentes do Partido Nacionalista Basco (EAJ-PNV, cinco deputados) e em seguida com a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC-CATSI, nove deputados).

Depois de ter ganho as eleições com maioria relativa (137 em 350 deputados) Mariano Rajoy indicou, no início da semana passada, que iria tentar formar um governo estável e “para quatro anos”, sem, no entanto, afastar a possibilidade de governar em minoria e “com pactos pontuais”.

O presidente do governo de gestão deu na altura a sua preferência por um governo “com sólido apoio governamental”.

“Estendo a minha mão aos partidos moderados”, disse Mariano Rajoy a pensar no PSOE e no Ciudadanos, mas ao mesmo tempo avisava que está “aberto a todas as fórmulas” e insistia que não irá “abdicar de governar, porque tem o apoio dos espanhóis”.

Contra as expetativas iniciais, o PP foi o único partido a ganhar votos e lugares no parlamento nas eleições realizada, em que os eleitores parecem ter decidido regressar aos partidos tradicionais (PP e PSOE) e penalizar as novas formações em ascensão até dezembro passado (a aliança de extrema esquerda Unidos Podemos e os liberais do centro Ciudadanos).

O PP foi o partido mais votado nas eleições de domingo, com 137 deputados, mais 14 que nas legislativas de dezembro, mas longe dos 176 mandatos que dão a maioria absoluta no congresso espanhol.

O PSOE ficou em segundo lugar, com 85 lugares (90 em dezembro), enquanto a aliança de esquerda Unidos Podemos, que as sondagens colocavam em segundo lugar, ficou em terceiro e elegeu 71 deputados, com o Ciudadanos a conseguir 32 assentos.

Os membros das novas Cortes espanholas (Congresso de Deputados e Senado) tomam posse a 19 de julho.

Poucos dias depois da constituição das duas câmaras, mas sem prazo definido, o rei de Espanha, Filipe VI iniciará as consultas com os partidos para, em seguida, fazer uma proposta de candidato a assumir a presidência do governo.

A visita a Espanha do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, de 09 a 11 de julho, no próximo fim de semana, irá apanhar os principais dirigentes políticos do país em pleno período de negociações para formação do governo.

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