Psicólogos apelam à população para estar atenta a sinais de suicídio para poder ajudar

Psicólogos apelam à população para estar atenta a sinais de suicídio para poder ajudar

 

Lusa/AO online   Nacional   9 de Set de 2015, 18:09

O bastonário da Ordem dos Psicólogos apelou à população para estar atenta aos sinais de alerta do suicídio para poder ajudar quem está em risco, lembrando que há intervenções terapêuticas que podem evitar mais de metade dos casos.

 

"Hoje em dia temos formas de intervenção terapêutica que, em alguns casos, podem reduzir os suicídios futuros em mais 50%", disse Telmo Mourinho Baptista a propósito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, que se assinala na quinta-feira e tem esta ano como tema "Chegar mais próximo e Salvar Vidas".

Mas, defendeu o bastonário, para prevenir estas situações é necessário esclarecer a população sobre "os sintomas e os sinais" que podem levar ao suicídio.

"Devemos ter várias formas de mobilização da sociedade e, sobretudo, várias formas de intervenção, seja no esclarecimento da população sobre os sintomas e os sinais que possam aparecer, seja nas respostas de proximidade para as pessoas", explicou.

Estas respostas de proximidade podem ser asseguradas por linhas telefónicas de apoio, mas também nos cuidados de saúde, disse Telmo Mourinho Baptista.

Contudo, muitas vezes as pessoas não dão sinais exteriores de que estão doentes e não recorrem aos cuidados de saúde

Para o bastonário, esta situação deve ser combatida com campanhas que deem mais conhecimento às pessoas sobre esta realidade para que possam auxiliar o doente.

"Há alterações de comportamento e de humor que são significativas e que permitem que se diga às pessoas para consultarem os profissionais de saúde para que possam ter um melhor nível de cuidados", frisou.

Outra situação que ainda impede as pessoas de pedirem ajuda é o estigma social que existe em relação às doenças do foro psicológico.

"Infelizmente ainda há algum estigma social na procura de apoio para perturbações mentais e também compete a todos" combatê-lo, disse, advertindo: "É bom que as pessoas saibam que uma perturbação psicológica pode atingir qualquer pessoa - e não são motivos de vergonha - e que existem formas de intervenção eficazes que podem levar à sua total recuperação".

Telmo Mourinho Baptista lembrou ainda que nos momentos de crise, em que as sociedades estão mais vulneráveis, existe uma tendência para maiores níveis de depressão e de suicídios.

A perda de uma vida humana não é só algo de dramático, como tem muitas implicações", sublinhou o bastonário, recordando dados da Organização Mundial da Saúde que referem que uma pessoa suicida-se a cada 40 segundos em todo o mundo, sendo esta a segunda causa de morte entre os jovens dos 15 aos 29 anos.

Em Portugal, o suicídio também afeta muitas pessoas com mais de 65 anos, "o que significa que temos de ter um particular cuidado com as pessoas mais seniores", defendeu.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os suicídios foram responsáveis por 1.053 mortes em Portugal em 2013, menos 23 face ao ano anterior, a grande maioria homens com uma média de idade próxima dos 60 anos.

A linha SOS Voz Amiga, que apoia pessoas em risco, associou-se ao Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, iniciando às 00:00 de hoje uma campanha de atendimento telefónico contínuo que vai durar 48 horas.


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