PSD responsabiliza Governo dos Açores por divisões entre ilhas


 

Lusa/AO online   Regional   11 de Fev de 2015, 15:11

O PSD considerou que as divisões entre ilhas dos Açores que têm surgido nas últimas semanas são responsabilidade do Governo Regional, que não consegue resolver os problemas sociais e económicos do arquipélago.

 

"Nenhum açoriano pode ficar tranquilo ou sentir-se orgulhoso destas divisões. Muito pelo contrário! Elas são, normalmente, o sinal de mau governo ou de um poder político fraco e pouco dialogante", apontou o deputado do PSD Bruno Belo, numa declaração política feita no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, na cidade da Horta.

No seu entender, os Açores vivem hoje "a maior crise de sempre em autonomia", com indicadores sociais preocupantes, mas os açorianos não devem cometer o "erro trágico" de procurar no vizinho as culpas para os problemas que são de todos.

Bruno Belo referia-se a críticas surgidas nos últimas semanas relativamente ao Plano de Revitalização da Ilha Terceira, criado pelo Governo Regional para tentar mitigar o impacto da redução do contingente norte-americano na base das Lajes.

Na resposta, a secretária regional da Presidência considerou que o PSD está a tentar "reescrever a história" e "apagar factos", como a crise internacional e "o papel" que os social-democratas tiveram em Portugal nos últimos anos, transformando-se em "fieis discípulos" de uma "ideologia" europeia que levou à "destruição de centenas de milhares de postos de trabalho", ao "esmagamento da classe média" e ao "empobrecimento das pessoas".

"O Governo socialista e os sucessivos governos socialistas [dos Açores] orgulham-se do trabalho que têm feito pelo desenvolvimento de todas as nossas ilhas", afirmou Isabel Rodrigues, acusando o PSD de "demagogia".

Em relação às Lajes, condenou a ideia que considerou que alguma oposição está a querer fazer passar de que se a situação social nos Açores fosse outra, o impacto da redução da presença norte-americana seria menor, sublinhando que a Terceira desenvolveu "ao longo de décadas" uma economia em torno da base das Lajes.

Também o Bloco de Esquerda levou a questão das Lajes ao parlamento açoriano numa declaração política em que afirmou que o plano proposto para a Terceira "não pode prejudicar outras ilhas", mas também não pode fugir do "essencial", o combate ao desemprego na Terceira.

"É evidente que este plano não pode ter, como reverso, o prejuízo de outras ilhas, seja de que maneira for. É claro que as eventuais colisões de interesses devem ser assumidas e corrigidas. Contudo, não podem eventuais erros, omissões ou falhas, servir de pretexto para ofuscar o essencial", defendeu a deputada Zuraida Soares.

A deputada do BE responsabilizou ainda o Governo da República e a Administração norte-americana pela desvalorização das Lajes e o problema que enfrenta agora a Terceira.

No debate destas iniciativas, Artur Lima, do CDS-PP, referiu-se à presença do presidente do Governo Regional dos Açores na reunião da comissão bilateral permanente Portugal/EUA que decorre hoje em Lisboa, para criticar Vasco Cordeiro.

"Já devia ter ido antes. Agora, de certeza, que não vai lá fazer nada", afirmou Artur Lima, que criticou também a "figura patética" a que se sujeitou o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória (concelho onde está instalada a base das Lajes), por ter ido "pedir à República para integrar a Comissão Bilateral".

Berto Messias, líder parlamentar do PS, acusou o CDS de estar a tentar "branquear" as responsabilidades do Governo da República em relação às Lajes.

"É preciso ter lata para vir aqui falar de representação dos Açores na Comissão Bilateral. O Governo da República não quer que o presidente a Câmara da Praia da Vitória esteja na Comissão Bilateral, e a culpa é do Governo dos Açores?", questionou o deputado socialista.


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