PSD quer confrontar na quarta-feira ministro da Saúde com problemas no setor

PSD quer confrontar na quarta-feira ministro da Saúde com problemas no setor

 

Lusa/AO Online   Nacional   13 de Jun de 2017, 10:43

O PSD quer confrontar na quarta-feira no parlamento o Governo e o ministro da Saúde com os problemas no setor, apontando como um dos principais a perda de valor da palavra de Adalberto Campos Fernandes.

 

"Neste momento, um dos maiores problemas do ministro da Saúde tem a ver com a palavra dele. A palavra do ministro da Saúde neste momento está ao nível do ‘rating' da República, é lixo", acusou o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD Miguel Santos.

O deputado alertou que se o ‘rating' de Portugal "ainda se pode recuperar", a capacidade de recuperação de um ministro é mais difícil, acusando Adalberto Campos Fernandes de "falta de credibilidade" junto dos profissionais do setor, como os médicos ou os enfermeiros.

"Num ano e meio, o atual ministro da Saúde desbaratou uma sucessão de promessas e compromissos não cumpridos, levou ao extremo as negociações com classes profissionais e agravou indicadores financeiros e assistenciais que ainda não são totalmente visíveis porque vem beneficiando dos equilíbrios conseguidos anteriormente", acusou.

Para quarta-feira, o PSD marcou na Assembleia da República uma interpelação ao Governo sobre saúde, no qual quer confrontar o executivo com uma série de questões que "se vêm agravando ao longo dos últimos meses e podem estar perto da rutura", nomeadamente ao nível dos recursos humanos.

"A partir do momento em que se começou a desequilibrar recursos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) tudo se tornou como uma bola de neve", afirmou Miguel Santos, apontando a aplicação da lei que repôs as 35 horas (em vez de 40) na função pública como um dos exemplos.

Para o deputado e coordenador da bancada do PSD em questões de saúde, a implementação desta medida foi feita "de forma precipitada" e levou a que os profissionais ainda trabalhassem mais, em horas extraordinárias, aumentando os gastos no SNS e a contratação de tarefeiros.

Sobre o recente decreto de execução orçamental, que obriga a um corte de 35% nas contratações externas na saúde, Miguel Santos considerou-o mais um exemplo de desresponsabilização do ministro.

"Através de uma medida impositiva quer tentar obter resultados que não conseguiu durante um ano com medidas de gestão, não me parece que vá resultar", alertou.

As recentes demissões no Amadora-Sintra, outras situações semelhantes no Centro Hospitalar do Algarve e no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro deverão ser também abordados pelos sociais-democratas na interpelação parlamentar de quarta-feira.

"Há um clima de instabilidade que está instalado na saúde e nós iremos confrontar o Governo na quarta-feira não só com casos concretos mas com aspetos macro que estão a destabilizar o sistema", afirmou o deputado Miguel Santos.

Questionado se o PSD deseja a mudança do titular da pasta da saúde, o deputado social-democrata respondeu negativamente embora referindo que Adalberto Campos Fernandes "é conhecido dentro dos vários cargos de responsabilidade que teve no setor público e privado por não terminar os seus mandatos".

"Não sei se este Governo vai durar até ao fim da legislatura, mas espero que o ministro vá até ao fim e assuma as suas responsabilidades e trate de consertar as asneiras que fez", apelou.

A interpelação tem uma grelha prevista de cerca de duas horas e conta obrigatoriamente com a presença do Governo.

 

 

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