PSD e CDS-PP responsabilizam Vasco Cordeiro por situação na transportadora SATA


 

Lusa/AO Online   Regional   5 de Set de 2017, 15:14

O PSD e o CDS-PP, maiores partidos da oposição nos Açores, responsabilizaram hoje o presidente do Governo Regional, o socialista Vasco Cordeiro, pela situação da transportadora aérea SATA.

No debate, que decorre da interpelação ao Governo Regional, uma iniciativa do deputado do PPM, Paulo Estêvão, o parlamentar social-democrata António Viveiros começou por dizer na Assembleia Legislativa, na Horta, ilha do Faial, que a SATA “está em profundo desequilíbrio financeiro”.

António Viveiros adiantou que a companhia, detida pela Região Autónoma dos Açores, está em “falência técnica”, apresentando “capitais próprios negativos em quase 100 milhões de euros, fruto dos prejuízos acumulados que comprometem quase no imediato a sua permanência no mercado”.

“Como foi possível chegar até aqui, uma empresa perder em dez anos cerca de 130 milhões de euros?”, perguntou o deputado, considerando que “o principal responsável pelo descalabro da SATA desde 2008, é do atual presidente do Governo Regional, quer como secretário regional da Economia, quer nas atuais funções”.

Também o líder parlamentar do CDS-PP na Assembleia Legislativa dos Açores afirmou que o “primeiro e derradeiro” responsável pela situação da companhia é o presidente do Governo Regional.

Artur Lima atribuiu a Vasco Cordeiro várias responsabilidades, como os ‘business plan” da empresa, a nomeação dos conselhos de administração, “o facto de os açorianos não terem mobilidade interna” ou “as rotas deficitárias que deixou que se mantivessem enquanto secretário da Economia”.

“Há um responsável primeiro pela situação a que chegou a SATA Internacional e a SATA Air Açores e o grupo SATA, há um responsável primeiro e derradeiro e chama-se Vasco Cordeiro”, adiantou, considerando que “em dez anos, numa década, em que a SATA veio em voo acelerado em direção a despenhar-se”, o chefe do executivo “teve a tutela direta” da empresa.

Na resposta, Vasco Cordeiro disse ao plenário que assume “todas as responsabilidades dos cargos” que exerceu.

“Assumo aquilo que correu bem e assumo aquilo que correu menos bem, também com um sentido de orgulho de, em relação àquilo que correu menos bem, procurar sempre fazer uma análise de consciência e corrigir”, disse.

Antes, no debate, o socialista Francisco César salientou não parecer correto que PPM e PSD digam “que tudo correu mal no grupo SATA e que toda a responsabilidade do que aconteceu neste ano de mau é do Governo dos Açores” e da administração da SATA.

Repetindo números que já tinham sido avançados pela secretária regional dos Transportes e Obras Públicas, Francisco César frisou que, “em matéria de recapitalização da SATA e da intervenção na SATA (…), o PS nunca aceitará que seja Bruxelas a ditar quais são os termos da reestruturação da SATA”.

Já o deputado do Bloco advertiu que a narrativa a que se assiste com a SATA “encerra uma lógica muito mais simples”, que é a “lógica subjacente a todos os processos preparatórios de uma privatização”, sustentando que o atual cenário “serve para criar na opinião pública um clima de facto favorável à privatização de um ativo que é de todos”.

Por seu turno, João Paulo Corvelo, do PCP, referiu um conjunto de problemas na operação da SATA neste verão, como “indisponibilidade de reservas”, “falta de aeronaves para assegurar as ligações inter-ilhas” e “intermináveis” esperas nos aeroportos.

Segundo o comunista, “a decisão do Governo de colocar a SATA a fazer reencaminhamos gratuitos de passageiros das companhias aéreas privadas faria qualquer leigo da matéria prever, sem possibilidade de errar, que tal situação seria de todo impossível sem aumento da frota”.

 




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