PSD e CDS-PP criticam discurso "eleitoralista" de Vasco Cordeiro


 

Lusa/AO online   Regional   25 de Mai de 2015, 18:39

PSD e CDS-PP dos Açores condenaram o discurso "eleitoralista" do presidente do executivo regional no Dia da Região e consideraram que as propostas sobre a reforma do sistema político autonómico não são novas.

O dirigente do PSD/Açores António Marinho disse aos jornalistas que o discurso de Vasco Cordeiro "acabou por tombar" para um lado "perfeitamente eleitoralista" e que o presidente do Governo dos Açores "se esqueceu" de referir que a austeridade nacional se deveu à "bancarrota" a que o socialista José Sócrates levou o país.

Além disso, para o PSD, a crise que afetou os Açores tem também causas de "natureza regional", de que os socialistas, que governam a região há quase 20 anos, não se podem demitir.

Ainda assim, o dirigente social-democrata considerou positivas as propostas de Vasco Cordeiro sobre a reforma do sistema político autonómico, mas sublinhou que não trazem nada de novo em relação àquilo que o PSD/Açores anda a propor há “muito tempo”, tendo inclusivamente criado um grupo de trabalho com esse objetivo.

António Marinho disse ainda que no Dia da Região Autónoma dos Açores, que hoje se celebra, é preciso não esquecer os "problemas sociais gravíssimos" que enfrentam as ilhas.

O presidente do CDS-PP/Açores, Artur Lima, disse aos jornalistas, igualmente no final da sessão solene do Dia da Região, nas Lajes das Flores, que Vasco Cordeiro fez um "discurso claramente eleitoralista", de que não gostou.

Artur Lima considerou as propostas de Vasco Cordeiro "à Podemos e à Syriza" desadequadas para o Dia da Região, com "nada de novo" e "gastas".

O dirigente do CDS-PP criticou ainda que Vasco Cordeiro tenha dedicado "metade do discurso" a atirar "culpas" à República pela situação dos Açores, esquecendo que mais de metade das receitas da região vêm do Orçamento do Estado e “quem paga” os apoios sociais.

“Atirar aos outros as culpas do nosso fracasso fica mal”, afirmou.

O deputado do PCP no parlamento dos Açores, Aníbal Pires, disse que a crise que afetou os Açores poderia ter sido menor se os sucessivos governos regionais tivessem usado as competências económicas para "fortalecer" a economia e torná-la menos dependente e permeável a contextos nacionais e internacionais.

Aníbal Pires considerou que há, assim, também um "falhanço" dos governos regionais e lamentou que o PS/Açores nunca tenha "descolado efetivamente" do PS nacional e das políticas de austeridade.

A coordenadora do BE/Açores, Lúcia Arruda, considerou, por seu turno, que os maiores desafios dos Açores hoje passam por resolver questões jurídicas relacionadas com a gestão do mar, por exemplo, e por conseguir alterar o seu "paradigma económico-social", de forma a conseguir distribuir por todos os açorianos a riqueza produzida.

Já o deputado do PPM no parlamento açoriano, Paulo Estêvão, disse que as propostas apresentadas por Vasco Cordeiro "não são nada originais" e vão ao encontro de outras que têm sido apresentadas pelos monárquicos, discordando, no entanto, da ideia de dar outros poderes aos conselhos de ilha, por considerar que têm uma "lógica muito corporativa” e “legitimidade duvidosa" e poderia criar mais uma "estrutura intermédia", que demoraria decisões, e “mais funcionários”.

O líder parlamentar do PS nos Açores, Berto Messias, elogiou o discurso de Vasco Cordeiro, destacando a "grande pertinência" de sublinhar a "necessidade de haver um debate amplo" sobre o sistema político autonómico, de forma a aproximar eleitos e eleitores e aumentar o "escrutínio público da ação governativa".

Berto Messias realçou, ainda, a "pedagogia sobre a autonomia", que considerou ter estado presente no discurso de Vasco Cordeiro.



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