PSD denuncia falta de condições em centros de resíduos mas Governo nega

PSD denuncia falta de condições em centros de resíduos mas Governo nega

 

Lusa/AO online   Regional   17 de Mai de 2018, 09:04

O PSD/Açores disse esta quarta-feira que detetou condições de trabalho indignas e práticas ambientais ilegais nos centros de processamento de resíduos das ilhas Graciosa e S. Jorge, mas o Governo Regional alega que os problemas estão a ser corrigidos.

“Condições de trabalho indignas, instalações imundas, equipamentos partidos, práticas ambientais ilegais não podem continuar a dar direito a silêncios ou a palmadinha nas costas”, apontou a deputada do PSD Catarina Furtado, na discussão de uma declaração política que o partido apresentou no Parlamento açoriano, na Horta.

Depois de ter visitado os centros de processamento de resíduos da Graciosa e de S. Jorge, em abril e maio deste ano, a social-democrata disse que a estratégia de gestão de resíduos não passou do papel à prática.

“Fora do papel, a selagem dos aterros das sete ilhas resvalou para além de 2016 e em algumas ilhas com aterros selados surgiram, convenientemente, buracos para fazer desaparecer algumas toneladas de resíduos. Toneladas que desaparecem dos relatórios e deturpam as estatísticas”, salientou, colocando em causa os dados que apontam para uma valorização orgânica de 80% na ilha Graciosa.

Segundo Catarina Furtado, que mostrou fotografias no plenário, nestas duas ilhas existem “autênticas lixeiras com telhado”, onde os resíduos “quase tocam no teto” das instalações e há equipamentos que “custaram balúrdios e não funcionam”.

A deputada disse ainda que alguns centros apresentam “instalações sujeitas à corrosão e à degradação” e más condições de “higienização e limpeza”, criticando a falta de “fiscalização”.

Por outro lado, apontou “dificuldades no transporte de resíduos entre ilhas, que levam a artimanhas terceiro-mundistas, sempre impunes e que sugerem compadrios vergonhosos, para fazer desaparecer algumas toneladas de resíduos num buraco qualquer, seja uma pedreira ou um aterro a ser selado”.

Catarina Furtado disse mesmo que o grupo parlamentar do PSD assistiu, em S. Jorge, a um caso em que o sangue proveniente de animais abatidos no matadouro da ilha foi “despejado, sem qualquer tipo de controlo por cima de uma zona de cascalho, sem tela de impermeabilização, dentro do perímetro do centro de processamento de resíduos”.

Também a deputado do CDS-PP Catarina Cabeceiras disse que a falta de condições das instalações de S. Jorge “põem em causa o princípio do centro de processamento e põem em risco a saúde de quem lá trabalha”.

Em resposta, o secretário regional adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Berto Messias, admitiu que as operações dos centros de processamento de resíduos destas duas ilhas “em determinado momento não correram bem”, mas salientou que quando começaram a surgir os primeiros problemas, o Governo Regional "agiu de imediato, fazendo fiscalizações", efetuando atualmente "controlos e monitorizações semanais”.

Segundo o governante, os problemas “estão a ser resolvidos e normalizados” e os dois centros lideram as taxas regionais de processamento de resíduos, estando “acima dos 80%”.

Já a deputada socialista Bárbara Chaves frisou que o processo de gestão de resíduos "é gradual”, considerando que não se podem imputar culpas apenas ao Governo Regional, quando as câmaras municipais também têm responsabilidades nesta matéria.



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