PSD/Açores critica restrições à operação no porto de São Roque do Pico

PSD/Açores critica restrições à operação no porto de São Roque do Pico

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Fev de 2016, 17:45

O PSD/Açores criticou hoje a demora na reposição da operacionalidade no Porto de São Roque do Pico, onde os ferries da Atlânticoline não podem utilizar as rampas de popa desde o acidente mortal ocorrido em novembro de 2014.

 

Num requerimento entregue na Assembleia Legislativa dos Açores, dirigido ao Governo Regional, o deputado social-democrata Cláudio Lopes diz não compreender como é que o cabeço de amarração que rebentou do cais (ferindo mortalmente um passageiro) ainda não foi reposto.

"Passado tanto tempo, não se compreende que ainda não tenha sido colocado no Porto de São Roque um cabeço de amarração alternativo ao que colapsou em novembro de 2014, visando a retoma da normalidade do serviço público de transporte marítimo de passageiros e viaturas no Triângulo", lamenta o deputado do PSD, referindo-se à ligação entre as ilhas do Faial, Pico e São Jorge.

Cláudio Lopes lembra que, por via destas restrições, passados mais de quinze meses, continua interditado o transporte de viaturas naquele porto comercial, situação que, no seu entender, tem "prejudicado os empresários" das ilhas do Pico e de São Jorge.

Segundo o social-democrata, a situação tem "afetado, naturalmente, as economias das duas ilhas", além de ter provocado alterações frequentes nos horários da Atlânticoline, a empresa pública que gere o transporte marítimo de passageiros e viaturas no arquipélago.

"Durante todo este período, verificaram-se alterações frequentes nos horários das ligações, causando uma natural incerteza de itinerários entre as referidas duas ilhas, o que prejudica, em muito, os utentes daquele serviço público", aponta o parlamentar social-democrata.

Cláudio Lopes questiona o executivo socialista sobre quando será reposta a operacionalidade do porto, de forma que os navios "Mestre Simão" e "Gilberto Mariano" possam ali circular sem restrições.

O deputado do PSD lembra também, no requerimento, que uma inspeção realizada há cerca de um ano pelo próprio executivo detetou a existência de vários cabeços de amarração "em má e em péssima condição".

"É incompreensível que, até hoje, não se tenha mexido nos cabeços. Isso apenas revela um profundo desleixo da empresa responsável pela manutenção daquelas infraestruturas portuárias", lamenta Cláudio Lopes.

Confrontado com estas críticas, o secretário regional do Turismo e dos Transportes, Vítor Fraga, adiantou que a empresa Portos dos Açores está a trabalhar no sentido de "fazer os trabalhos associados aos cabeços, inerentes ao estudo que foi encomendado e que visa, exatamente, reforçar as condições de segurança em todos os nossos portos".

"O estudo para avaliar as condições necessárias para a implementação dos cabeços, bem como dos pontos de amarração, para que a operação decorra, incrementando os níveis de segurança, foi encomendado no final do ano passado", lembrou o governante.

Um passageiro da Transmaçor (empresa entretanto fundida na Atlânticoline) morreu em novembro de 2014, depois de ter sido atingido por um cabeço de amarração que se soltou do cais, quando o navio "Gilberto Mariano" estava em manobras de acostagem no porto de São Roque do Pico.

Um relatório efetuado na altura pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Marítimos revelou que o cabeço em causa apresentava sinais claros de falta de manutenção (incluindo ferrugem e uma fissura).

Uma comissão de inquérito criada pelo parlamento dos Açores para apurar responsabilidades por este acidente mortal concluiu que houve "vários fatores" que contribuíram para o acidente, entre os quais a forte ondulação que se fazia sentir e o facto de o navio utilizar cabos "sobredimensionados".

 

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.