PS só vai apoiar candidato presidencial após eleições legislativas


 

Lusa/AO online   Nacional   9 de Abr de 2015, 15:13

O líder parlamentar do PS defendeu que o seu partido só deverá ter uma posição institucional de apoio a um candidato presidencial após as eleições legislativas, advertindo que este debate, agora, pode prejudicar os socialistas.

Ferro Rodrigues falava aos jornalistas no final da reunião da bancada socialista, depois de confrontado com o facto de o eurodeputado do PS Francisco Assis ter hoje manifestado, num artigo no jornal "Público", o seu apoio a uma candidatura presidencial do ex-presidente da Assembleia da República e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Jaime Gama.

"O direito à palavra é sagrado no PS. Agora, na minha opinião, o PS, enquanto tal, só deve apoiar uma candidatura presidencial depois das eleições legislativas", declarou o presidente do Grupo Parlamentar dos socialistas, que deixou também um aviso: "Tudo o que seja dispersar as atenções para outros aspetos, por muito importantes que sejam [para além da vitória nas eleições legislativas], é um erro político crasso".

Perante os jornalistas, Ferro Rodrigues começou por vincar a sua defesa em relação ao caráter absoluto "do direito à livre expressão" dentro do seu partido, para depois defender que o PS deve concentrar-se no objetivo de vencer as eleições legislativas.

"Na minha opinião, já que também tenho direito à palavra, neste momento, o fundamental é mudar este Governo, que está a desgraçar o país, e apresentar uma alternativa forte e consistente nas eleições legislativas. Tudo o que seja dispersar a atenção, é um erro político crasso. Mas é evidente que as pessoas têm o direito de cometer erros políticos crassos, todas elas sejam quem forem", ressalvou o líder da bancada socialista.

Questionado se entende que a discussão neste momento de candidatos presidenciais é prejudicial ao seu partido, Ferro Rodrigues concordou.

"Não faz qualquer sentido que, numa altura em que o PS se bate contra este Governo, contra estas políticas e apresenta novas alternativas, estar a dispersar-se sobre quem cada militante socialista gostaria de ver ocupar o Palácio de Belém a partir de fevereiro de 2016. Acho que não é o momento para isso - e é um péssimo serviço", avisou novamente.

O presidente do Grupo Parlamentar do PS disse depois admitir que haja militantes socialistas que se candidatem ao lugar de presidente da República, porque "têm esse direito".

"Pode haver militantes socialistas que apoiem essas candidaturas ou outras candidaturas quaisquer. Agora, a posição institucional do PS, do meu ponto de vista, só deve ser definida depois das eleições legislativas e nunca antes. Não me ouvirão patrocinar qualquer tipo de debate anárquico sobre essa matéria", acrescentou o ex-secretário-geral do PS.

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