Protestos islâmicos no Paquistão fazem três feridos graves


 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Jan de 2015, 10:45

Três pessoas ficaram gravemente feridas, entre os quais um fotógrafo da AFP, durante uma manifestação contra o jornal satírico Charlie Hebdo frente à embaixada da França em Karachi, no Paquistão.

Os polícias fizeram disparos de intimidação e utilizaram canhões de água para dispersarem a multidão, de acordo com um jornalista da France Press no local e que refere que três pessoas ficaram gravemente feridas: um fotógrafo da AFP, um agente das forças policiais e um manifestante.

Os partidos islâmicos paquistaneses apelaram à realização de manifestações nacionais contra a publicação da nova caricatura do profeta Maomé na primeira página da última edição do jornal satírico francês Charlie Hebdo, publicada na quarta-feira.

Já se registaram nos últimos dias protestos contra o jornal francês em Islamabad, Lahore, Peshawar e Multan, onde uma bandeira francesa foi queimada durante a manifestação.

O Paquistão, o segundo maior país muçulmano do mundo a seguir à Indonésia, com 200 milhões de habitantes, condenou oficialmente o ataque contra a redação do jornal francês na semana passada em Paris e que fez 12 mortos.

Nos últimos dias, o tom tem endurecido, primeiro durante a manifestação em Peshawar em honra dos irmãos Cherif e Said Kouachi, autores dos ataques à redação do jornal de Paris.

Depois, na quinta-feira, o primeiro-ministro Nawaz Sharif e o Parlamento condenaram, através de uma resolução aprovada por unanimidade, a publicação das novas caricaturas, que consideraram blasfemas.

“Os órgãos de comunicação social que publicaram esses desenhos devem ser proibidos, todas as cópias devem ser confiscadas e queimadas”, defendeu o ministro federal dos Assuntos Religiosos, Sardar Yousaf.

“Os países ocidentais, incluindo a sociedade civil, devem identificar os elementos que estão a fomentar a conspiração em nome da liberdade de imprensa fazendo crer que se trata de um choque de civilizações” disse também o ministro dos Transportes, Saad Rafique, acrescentando que “estão a brincar com os sentimentos dos muçulmanos”.

A fação talibã paquistanesa, Jamaar ul-Ahrar, que combate o governo de Islamabad, já condenou a publicação das novas caricaturas, elogiou os autores do ataque ao Charlie Hebdo e apelou a represálias contra os “inimigos do Islão”.

Em 2012, o Paquistão foi palco de manifestações violentas devido à publicação de 'cartoons' de Maomé e à exibição do filme norte-americano “A inocência dos muçulmanos”.

Na altura, as autoridades bloquearam o serviço de partilha de vídeos Youtube.


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